
Carlos Bolsonaro (PL-SC), pré-candidato ao Senado por Santa Catarina, atacou Romeu Zema (Novo) nas redes sociais após o ex-governador de Minas Gerais ser apontado como um dos possíveis “vices ideais” para Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa presidencial. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro reclamou de uma publicação em que Zema afirma ser “totalmente favorável” à reforma tributária de Lula.
“É preciso deixar muito claro: por onde passo em Santa Catarina e pelo Brasil, investidores e contratados demonstram enorme preocupação com o aumento de impostos trazido pela reforma tributária, que sequer entrou plenamente em vigor. Trata-se de mais um verdadeiro cargueiro transatlântico de impostos sobre a cabeça de todos nós”, escreveu Carluxo.
O ex-vereador do Rio de Janeiro ampliou o ataque ao citar nomes da direita que, segundo ele, não acompanham os planos políticos de Jair Bolsonaro. A crítica ocorre em meio à disputa interna sobre a formação da chapa de Flávio, pré-candidato ao Planalto, e ao debate sobre quem poderia ocupar a vice.
“Diferente daqueles que, além de não apoiarem Jair Bolsonaro, também desejam enterrá-lo vivo politicamente e utilizam perfis de terceiros para cumprir esse objetivo, fingindo ingenuidade diante dos olhos de todos, trago aqui apenas mais um fato, não um ataque. É preciso explicar, porque os senhores sabem muito bem como o sistema age quando manipula a semântica conforme lhe convém”, disse.
Na sequência, Carlos fez um apelo direto ao irmão e defendeu a união da direita em torno de uma única candidatura. “Meu irmão Flavio Bolsonaro , eu nada quero de você além da sua amizade e das chaves nas suas mãos, porque sei que nas mãos de outros nada do que desejo para o país será feito. Não busco projeto de poder nem dinheiro”.
“Apoiar-se em quem recebe milhões e lhe oferece discursos ilusórios só o levará para um caminho mais… difícil. Ouça ao menos um pouco do que venho lhe dizendo há tempos, e não apenas aqueles que possuem outros interesses ao seu redor. É preciso ponderar. Você está mordendo a isca com mais facilidade do que lambari em anzol de mosquito e o peixe vai só engordando malandramente. Precisamos unir a direita e vencer no primeiro turno. Esses são os fatos. Vamos! Vamos! Vamos!”, finalizou.
É preciso deixar muito claro: por onde passo em Santa Catarina e pelo Brasil, investidores e contratados demonstram enorme preocupação com o aumento de impostos trazido pela reforma tributária, que sequer entrou plenamente em vigor. Trata-se de mais um verdadeiro cargueiro… pic.twitter.com/jpBG4WVqEc
— Carlos Bolsonaro (@CarlosBolsonaro) April 27, 2026
A manifestação de Carlos expõe mais um capítulo da disputa no campo bolsonarista, que tem enfrentado divergências públicas sobre alianças, protagonismo e estratégia eleitoral. O incômodo com Zema também aparece em análises recentes sobre a dificuldade de encaixar o ex-governador mineiro em uma chapa liderada por Flávio Bolsonaro.
Em artigo publicado no DCM, Moisés Mendes avaliou o editorial do Estadão com o título “PL avalia que Zema ‘radical’ perde força para ser vice de Flávio” e afirmou que “Zema é da mesma turma de Ibaneis Rocha, em Brasília, e de muitos outros que subiram no poste por serem ricos excêntricos. E esse Zema é agora considerado também um radical, por seus ataques ao ministro Gilmar Mendes e ao supremo”.
Segundo ele, “o raciocínio do bolsonarismo é lógico: se Flávio já tem a base bolsonarista raiz, não precisa de um Zema para reforçar o que já é. Zema seria um estorvo”.
“O cenário hoje surpreende até jornalista com a trajetória e a sabedoria de um Elio Gaspari, que há duas semanas citou Zema e Caiado com chance de virem a ser a terceira via de centro”, disse. “As tartarugas enganam quem quer ser enganado. Zema, que pretende vender a Petrobras e o Banco do Brasil e cortar o Bolsa Família, só pode ser parado, no meio do poste, pela extrema direita raiz. Zema é um problema deles, e não de Lula”.