
A Casa Branca informou na última segunda-feira (27) que avalia a nova proposta apresentada pelo Irã para reabrir o Estreito de Ormuz, dois meses após o início do conflito no Oriente Médio. A iniciativa foi enviada por meio do Paquistão, mediador entre Teerã e Washington, mas já enfrenta resistência de Donald Trump, que se mostrou insatisfeito pela negociação não tratar diretamente do programa nuclear iraniano.
Segundo a agência Fars, o Irã encaminhou “mensagens escritas” aos Estados Unidos detalhando suas linhas vermelhas nas negociações, incluindo o Estreito de Ormuz e a questão nuclear. A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, confirmou que a oferta está “sendo discutida”, mas evitou dizer se Trump pretende aceitá-la.
De acordo com um funcionário estadunidense ouvido pela Reuters, o presidente não ficou satisfeito com os termos apresentados. “Ele não gostou da proposta”, disse a fonte, sob anonimato. O plano iraniano prevê a reabertura da rota marítima e o fim do conflito, além do encerramento do bloqueio naval imposto pelos EUA, mas deixaria o debate sobre o programa nuclear para uma etapa posterior.
Para Washington, esse é o principal entrave. Marco Rubio, secretário de Estado, afirmou à Fox News que a proposta era “melhor” do que o esperado, mas questionou sua autenticidade e reforçou que qualquer acordo precisa impedir Teerã de buscar armas nucleares.
“Precisamos garantir que qualquer acordo firmado, qualquer conciliação alcançada, os impeça definitivamente de buscar armas nucleares em qualquer momento”, afirmou.
Leavitt disse que Trump discutiu a proposta com seus principais assessores de segurança nacional. Segundo ela, as exigências básicas do presidente continuam as mesmas: reabrir a hidrovia essencial para o trânsito global de petróleo e fazer com que o Irã entregue seu urânio enriquecido.
“Eu não diria que eles estão considerando a possibilidade. Eu diria apenas que houve uma discussão esta manhã que eu não quero adiantar, e vocês ouvirão diretamente do presidente, tenho certeza, sobre esse assunto”, declarou.

Do lado iraniano, o chanceler Abbas Aragchi afirmou que Teerã ainda analisa o pedido de negociações para encerrar a guerra. Em visita à Rússia, ele disse que Trump busca dialogar porque os Estados Unidos “não alcançaram seus objetivos” no conflito.
Araqchi também culpou Washington pelo fracasso da rodada anterior de conversas. “A abordagem dos Estados Unidos fez com que a rodada anterior de negociações, apesar de alguns avanços, não atingisse seus objetivos devido a exigências excessivas”, disse.
Em São Petersburgo, o ministro iraniano se reuniu com Vladimir Putin. O presidente russo prometeu atuar para acelerar o processo de paz e disse ter recebido uma mensagem do líder supremo do Irã na semana passada. “Gostaria de observar, no início da conversa, que na semana passada recebi uma mensagem do líder supremo do Irã”, afirmou.
Putin também elogiou Teerã. “Vemos como o povo do Irã luta de forma corajosa e heroica por sua independência, por sua soberania”, declarou.
Enquanto isso, o bloqueio de Ormuz segue pressionando a economia global. No Conselho de Segurança da ONU, o embaixador iraniano Amir Iravani afirmou que Teerã exige “garantias críveis” para sua segurança. Rubio rebateu: “Não podemos tolerar que os iranianos tentem estabelecer um sistema no qual eles decidam quem pode usar uma via navegável internacional e quanto devem pagar para usá-la”.