
Os Emirados Árabes Unidos anunciaram nesta terça (28) que vão deixar a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e a aliança Opep+ a partir de 1º de maio. A decisão foi divulgada pela agência oficial do país e encerra a participação iniciada em 1967.
Segundo o governo, a saída está ligada a uma mudança de estratégia econômica. “Esta decisão reflete a visão estratégica e econômica de longo prazo dos Emirados Árabes Unidos e a evolução do seu perfil energético, em particular a aceleração dos investimentos na produção de energia nacional”, informou a agência Wam.
Os Emirados possuem uma das maiores reservas de petróleo do mundo, com cerca de 113 bilhões de barris, segundo dados de 2025 da própria Opep. O país é o nono maior produtor global, com cerca de 3 milhões de barris por dia, além de figurar entre os seis maiores exportadores.
Dentro da Opep, os Emirados ocupavam a quarta posição em produção, atrás de Arábia Saudita, Iraque e Irã. A organização, criada em 1960, reúne grandes produtores com o objetivo de coordenar políticas no setor e influenciar o mercado global do produto.

A Opep responde por cerca de 40% da produção mundial e realiza reuniões periódicas para ajustar a oferta. No início de abril, o grupo decidiu elevar a produção em 206 mil barris por dia para maio, em meio a impactos da guerra no Oriente Médio sobre o fornecimento.
A saída dos Emirados ocorre em um cenário de dificuldades para exportadores do Golfo Pérsico, afetados por gargalos no Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. O bloqueio está ligado às tensões entre Irã e Omã após o início do conflito com os Estados Unidos.
Analistas avaliam que a decisão pode reduzir a capacidade da Opep de influenciar os preços globais e até causar um enfraquecimento estrutural da Opep.