Logo DCM
Logo DCM
Apoie o DCM

Moraes aciona PGR após PF apontar bagagens sem fiscalização em voo com Motta

Imagens do desembarque do piloto José Jorge de Oliveira Junior no aeroporto São Paulo Catarina Aeroporto Executivo Internacional
Imagens do desembarque do piloto José Jorge de Oliveira Junior no aeroporto São Paulo Catarina Aeroporto Executivo Internacional – Reprodução

A Procuradoria-Geral da República vai decidir se abre investigação sobre a entrada no Brasil de cinco bagagens sem fiscalização em um voo particular que trouxe de São Martinho, no Caribe, o presidente da Câmara, Hugo Motta, o senador Ciro Nogueira e os deputados Doutor Luizinho e Isnaldo Bulhões. O caso foi remetido pela Polícia Federal ao Supremo Tribunal Federal após a identificação de parlamentares com foro privilegiado entre os passageiros.

O procedimento ficou sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, que determinou o envio dos autos à PGR para manifestação. O órgão deverá avaliar se há elementos para abertura de inquérito contra os congressistas, se serão necessárias novas diligências ou se a apuração deve retornar à primeira instância.

Segundo a investigação, cinco bagagens entraram no país sem qualquer fiscalização aduaneira no voo pertencente ao empresário Fernando Oliveira Lima, o Fernandin OIG, que já havia sido alvo da CPI das Bets no Senado. Na aeronave estavam ainda Hugo Motta, Ciro Nogueira e os dois deputados federais, no retorno da viagem à ilha caribenha de São Martinho.

Segundo relatório da PF, ainda não é possível afirmar de quem eram os volumes nem se houve participação de autoridades com foro. O Ministério Público Federal em São Paulo também entendeu que o caso deveria ser remetido ao STF.

A investigação aponta que o auditor fiscal Marco Antônio Canella teria permitido que o piloto José Jorge de Oliveira Júnior passasse pela área de fiscalização com bagagens fora da máquina de raio-x no São Paulo Catarina Aeroporto Executivo Internacional, em São Roque, no dia 20 de abril de 2025.

Imagens analisadas pela PF mostram que, às 21h31, o piloto passou pela fiscalização com duas bagagens. Às 21h40, retornou ao ponto com cinco volumes a mais, sem submetê-los à inspeção. Entre os itens descritos estão sacolas, caixas, um edredom, uma mala de viagem e uma mochila.

A PF apura crimes de prevaricação e facilitação de contrabando ou descaminho. O relatório afirma que o auditor acompanhou a movimentação e permitiu a passagem dos volumes “sem a devida fiscalização”.

Procurado, Hugo Motta disse que, ao desembarcar, “cumpriu todos os protocolos e determinações estabelecidas na legislação aduaneira” e que aguardará a manifestação da PGR. Doutor Luizinho afirmou que não vai se manifestar. Os demais parlamentares foram procurados, mas não responderam.