
O secretário de Estado de Educação de Minas Gerais, Rossieli Soares, foi exonerado na noite de segunda-feira (27). A saída foi confirmada pelo governador Mateus Simões (PSD), que afirmou, em nota oficial, que a decisão ocorreu em alinhamento com o próprio secretário.
Segundo o governo mineiro, Rossieli deixará o cargo para se recuperar de um procedimento cirúrgico realizado em fevereiro, tratar de questões pessoais e se dedicar a novos projetos profissionais. Ele estava à frente da Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais desde agosto de 2025, no governo Romeu Zema (Novo).
A exoneração, no entanto, ocorre em meio a desgaste político, críticas à política educacional do estado e denúncias sobre contratos firmados pela secretaria. A gestão de Rossieli também foi marcada por debates sobre a implementação de uma política oficial para escolas cívico-militares em Minas Gerais.
Ele acha que Minas é uma grande S.A. onde tudo está à venda, afinal foi quem operou a venda de 95 escolas estaduais. Rossieli não foi secretário, ele foi um corretor de imóveis, tratando nossas escolas como mercadoria. A educação pública não pode ser entregue de bandeja pra…
— Dandara Tonantzin (@todandara) April 28, 2026
O governo anunciou Gustavo Braga, servidor estadual desde 2013, para assumir a pasta. Rossieli havia substituído Igor de Alvarenga no comando da SEE-MG e permaneceu no cargo por cerca de sete meses.
O Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG) afirmou que a exoneração ocorre após uma sequência de denúncias envolvendo a condução da educação pública estadual. Para a entidade, Rossieli foi levado ao cargo para implementar um projeto de privatização das escolas públicas.
O sindicato cita como exemplo o leilão de 95 escolas estaduais na B3, que passaram à administração vinculada ao banco BTG Pactual. A entidade também acusa a gestão de promover terceirização, plataformização e políticas que tratariam a educação como atividade voltada ao lucro.
As críticas se intensificaram após denúncias envolvendo contratos de aquisição de livros e plataformas educacionais. Em março, a deputada estadual Beatriz Cerqueira (PT), presidente da Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, acionou o TCE-MG e o Ministério Público de Minas Gerais para pedir investigação sobre um contrato da SEE-MG.
O contrato, de número 9492760/2025, foi assinado em 23 de dezembro de 2025 entre a secretaria e a empresa Fazer Educação Ltda. O valor é de R$ 348,4 milhões e prevê a compra de acervos bibliográficos para escolas estaduais, incluindo livros didáticos, técnicos e obras gerais.
Segundo Beatriz Cerqueira, há indícios de irregularidades no processo de contratação que precisam ser analisados pelos órgãos de controle. A parlamentar questiona os critérios usados pela secretaria e o valor do acordo.
As denúncias ganharam repercussão após reportagem do The Intercept Brasil. A publicação revelou que, nos últimos três anos, secretarias comandadas por Rossieli firmaram quatro contratos de compra de livros didáticos com a mesma empresa, a Fazer Educação, somando R$ 848,8 milhões.
De acordo com a reportagem, a empresa pertence ao empresário João Moacir Pereira da Silva Filho, que teria sido indiciado pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul por fraude em licitação e organização criminosa.
Ainda segundo o Intercept, a relação entre Rossieli e a empresa remonta ao período em que ele ocupou cargos públicos no Pará. Antes de assumir a secretaria mineira, a pasta de educação daquele estado, também sob sua gestão, assinou contratos com a Fazer Educação em 2023 e 2024.
O maior contrato citado pela reportagem é justamente o firmado em Minas Gerais, no valor de R$ 348,4 milhões. O acordo, assinado em dezembro de 2025, previa a compra de cerca de 3,5 milhões de livros de matemática, língua portuguesa e conteúdos multidisciplinares.
Até o momento, não há confirmação oficial de investigação criminal contra Rossieli Soares. O governo de Minas não relacionou a exoneração às denúncias e sustenta que a saída ocorreu por motivos pessoais e de saúde.