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Tebet descarta ser vice de Haddad e diz que Lula é o líder mais forte para “derrotar a extrema-direita

Simone Tebet, pré-candidata ao Senado. Foto: reprodução

Simone Tebet (PSB) afirmou que será pré-candidata ao Senado por São Paulo e descartou disputar a vice na chapa de Fernando Haddad (PT) ao governo estadual. Ex-ministra do Planejamento de Lula (PT), ela disse que aceitou o convite para atuar como ponte com eleitores de centro, do interior, do público feminino e do agronegócio.

Segundo Tebet, sua presença na chapa tem a função de mostrar que Lula, caso seja reeleito, manterá um governo de frente ampla. Em entrevista à Folha, ela afirmou que pensa diferente do PT em temas econômicos, mas considera maiores as convergências com o presidente.

“Aquilo que me assemelha ao que pensa o presidente Lula é infinitamente maior do que aquilo que me separa: a defesa da democracia, da soberania, dos valores, dos avanços em políticas públicas e dos direitos humanos. Agora, obviamente eu sou mais fiscalista e mais liberal na economia”, disse.

Sobre a avaliação de Lula, Tebet reconheceu que pode haver cansaço do eleitorado após décadas de liderança do presidente, mas defendeu que esse debate fique para depois da eleição. “É natural um cansaço. Só que ele tem que vir daqui a pouco. Ele não pode chegar agora”.

A senadora disse não ver moderação em Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário do PT na corrida presidencial. “Frente a que retrocessos estaremos diante de uma derrota de Lula?”, questionou, ao defender que Lula ainda é o nome mais forte para enfrentar a extrema-direita.

A ex-ministra também disse acreditar que é mais liberal e fiscalista que Haddad, mas afirmou ter boa relação com o petista. Para Tebet, o ex-ministro da Fazenda aceitou disputar São Paulo depois de uma conversa direta com Lula. “Na cabeça dele, havia vários nomes que poderiam ser candidatos. Mas bastou uma conversa com o presidente Lula que ele se convenceu”.

Haddad, Lula e Tebet. Foto: reprodução

Tebet contou que Haddad era o nome mais competitivo para enfrentar Tarcísio de Freitas e que se surpreendeu com sua aprovação nas pesquisas. Para ela, o petista “virou um outro Haddad” e se convenceu de que sua missão política ainda não terminou.

Ao tratar da resistência do agronegócio ao PT, Tebet disse que ela e Geraldo Alckmin terão papel importante no diálogo com o interior paulista. A ex-ministra também comentou a relação entre o setor e o MST. “Nós tivemos um MST, a meu ver, irresponsável no passado, que achava que a invasão [de terras] pela invasão resolveria alguma coisa”.

Ela afirmou, porém, que o movimento mudou. “Mas hoje o MST está muito mais amadurecido. É um movimento que dialoga e que conversa, que consegue sentar numa mesa de negociação e dizer ‘nós precisamos de uma reforma agrária'”.

Natural do Mato Grosso do Sul, Tebet rejeitou a ideia de ser tratada como forasteira em São Paulo. Ela lembrou que um terço de seus votos na disputa presidencial de 2022 veio do estado e afirmou ter ligação familiar, acadêmica e política com os paulistas.

“De alguma forma, São Paulo me escolheu ao me dar a votação que eu tive [para presidente] em 2022, quando as pessoas, nas ruas, me receberam com tanto carinho. São Paulo entende o meu discurso moderado, equilibrado, de uma pessoa que é absolutamente de centro. Eu fico muito confortável. Não me sinto uma estrangeira em SP”.