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Messias será aprovado ao STF “pela margem de erro da Quaest”, brinca ministro de Lula

Jorge Messias, AGU. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Jorge Messias, indicado por Lula ao Supremo Tribunal Federal (STF), será sabatinado nesta quarta-feira (29) no Senado em uma votação tratada pelo governo como decisiva e voto a voto. A um dia da análise do nome do advogado-geral da União, ministros e lideranças governistas passaram a demonstrar otimismo nos bastidores sobre a aprovação.

Em conversas reservadas, auxiliares de Lula têm feito brincadeiras ao serem questionados sobre o placar e chegam a usar a margem de erro da pesquisa Quaest, de três pontos percentuais, como referência informal para calcular os votos favoráveis. Ao Metrópoles, um ministro afirmou, em tom otimista, que contabiliza cerca de 50 votos pró-Messias, “considerando a margem de erro da Quaest”.

Para assumir uma cadeira no Supremo, o chefe da Advocacia-Geral da União (AGU) precisa de pelo menos 41 votos favoráveis entre os 81 senadores. Antes disso, seu nome será analisado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde precisa da maioria dos votos dos parlamentares presentes.

A votação ocorrerá em duas etapas: primeiro na CCJ e depois no plenário do Senado. Nos dois casos, o voto é secreto, ou seja, não será possível saber como cada senador votou, apenas o resultado final.

Jorge Messias no STF tem vários impasses e costuras para que o fato dê como certo
O candidato a vaga do STF, Jorge Messias. Foto: Daniel Estevão/AGU

Segundo o g1, integrantes da base governista esperam uma aprovação tranquila na comissão e projetam entre 43 e 48 votos no plenário. Apesar do otimismo, aliados reconhecem que a indicação foi marcada por tensão desde o início.

A escolha de Lula por Messias, em novembro de 2025, abriu uma crise com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. O senador tentava emplacar Rodrigo Pacheco (PSB-MG), aliado político e colega de Casa, para a vaga no STF.

Depois da indicação, Alcolumbre chegou a anunciar que a sabatina ocorreria em duas semanas, em um movimento visto como tentativa de reduzir o tempo de articulação de Messias com os senadores. O governo, então, adiou o envio da mensagem formalizando a indicação, que só ocorreu no início deste mês.

Em abril, já com o calendário definido, Alcolumbre recusou uma audiência oficial com Messias. Ainda assim, segundo o blog da Andreia Sadi, os dois se encontraram na semana passada, fora da agenda, na casa do ministro Cristiano Zanin.

Também participaram da conversa Rodrigo Pacheco e o ministro Alexandre de Moraes, aliados de Alcolumbre. No encontro, Messias foi lembrado de que sabatinas recentes tiveram placares apertados, como a recondução de Paulo Gonet à Procuradoria-Geral da República, aprovada com 45 votos.