
Jorge Messias, advogado-geral da União e indicado por Lula ao Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta quarta-feira (29), durante sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, que é “totalmente contra o aborto”. A declaração ocorreu em meio à expectativa de que a oposição use o tema para tentar desgastar sua indicação à Corte.
Messias disse que a prática, em sua visão pessoal, “deve ser objeto de reprimenda”, mas defendeu o cumprimento das hipóteses previstas em lei para interrupção da gravidez, como casos de estupro e risco à vida da mulher. O indicado também afirmou que o debate precisa considerar a situação de mulheres, adolescentes e crianças.
“Quero até dizer que nenhuma prática de aborto pode ser comemorada ou celebrada, muito pelo contrário, deve ser objeto de reprimenda. Mas isso é a minha concepção pessoal, filosófica, cristã. Qualquer que seja a circunstância, é uma tragédia humana. Agora, a gente precisa olhar também com humanidade à mulher, à adolescente, à criança, a uma vida. É por isso que a lei estabeleceu hipóteses muito restritas de excludentes da ilicitude”, disse Jorge Messias, em sabatina na CCJ do Senado.
A fala foi uma resposta a questionamentos sobre sua posição em relação ao tema. Antes da sabatina, senadores da oposição já indicavam que pretendiam explorar um parecer atribuído à Advocacia-Geral da União envolvendo uma norma do Conselho Federal de Medicina sobre aborto legal.
Ao Uol, o senador Izalci Lucas (PL-DF) afirmou que Messias teria de explicar o caso aos parlamentares. “Como evangélico, vai ter que explicar isso”, disse.
🚨GRAVE – Jorge Messias mente e diz que é contra o aborto, mesmo após ter trabalhado para legalizá-lo na AGU
“Quero deixar claro. Sou completamente contra o aborto! Totalmente contra” pic.twitter.com/NIBPxC3804
— SPACE LIBERDADE (@NewsLiberdade) April 29, 2026
Além do aborto, a oposição deve mirar em temas como os atos golpistas de 8 de janeiro e o escândalo do INSS. Apesar da pressão, o governo afirma estar confiante na aprovação do advogado-geral da União para ocupar uma cadeira no Supremo.
Indicado por Lula em novembro de 2025, Messias precisa passar por duas etapas no Senado. Primeiro, será votado pelos integrantes da CCJ, onde necessita da maioria dos votos dos senadores presentes. Depois, mesmo que seja aprovado ou rejeitado na comissão, sua indicação será levada ao plenário.
No plenário, são necessários ao menos 41 votos favoráveis entre os 81 senadores. As duas votações são secretas, ou seja, será divulgado apenas o placar final, sem identificação individual dos votos.
A indicação foi marcada por tensão política desde o início. A escolha de Lula abriu uma crise com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que tentava emplacar Rodrigo Pacheco (PSB-MG), aliado político e colega de Casa, para a vaga no STF.
Acompanhe a sabatina de Jorge Messias: