Logo DCM
Logo DCM
Apoie o DCM

Bets tiraram R$ 143 bilhões do comércio nos últimos anos, diz estudo

Plataforma de bets. Foto: Alexandre Meneghini/Reuters

Um estudo da Confederação Nacional do Comércio (CNC) aponta que o avanço das plataformas de apostas online retirou R$ 143,8 bilhões do comércio brasileiro nos últimos dois anos. O valor equivale ao faturamento do varejo nos períodos de Natal de 2024 e 2025, considerados os mais relevantes para o setor.

De acordo com o economista Fabio Bentes, responsável pelo levantamento, cada R$ 1 bilhão gasto em apostas provoca redução de 0,7% no faturamento do varejo. Entre janeiro de 2023 e dezembro de 2025, o gasto mensal com bets saltou de R$ 4 bilhões para R$ 29 bilhões.

O estudo também aponta efeitos diretos no endividamento. Segundo a CNC, cerca de 269 mil famílias entraram na inadimplência por causa das apostas. O método utilizado isolou o impacto das bets de fatores macroeconômicos como renda, juros e desemprego.

Os dados indicam impacto maior nas famílias com renda de até cinco salários mínimos, com deterioração das condições financeiras. Entre os grupos com renda superior a dez salários mínimos, houve redução das dívidas formais, mas aumento de atrasos, com deslocamento de recursos para apostas.

Fachada da CNC (Confederação Nacional do Comércio). Foto: Sérgio Lima/Poder360

A entidade afirma que “as bets não representam apenas entretenimento, configuram-se como um risco sistêmico para a saúde financeira das famílias”. Também destaca que, em momentos de aperto, despesas essenciais e não essenciais tendem a ser afetadas.

Segundo a entidade, homens, famílias de baixa renda, pessoas com mais de 35 anos e com maior escolaridade estão entre os mais vulneráveis. O presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, afirmou: “O impacto já deixou de ser pontual e se tornou macroeconômico”.

O estudo foi contestado por entidades do setor. O Instituto Brasileiro de Jogo Responsável cobrou “transparência metodológica” e afirmou que as conclusões são “alarmistas”. Já a Associação Nacional de Jogos e Loterias disse que os dados “não condizem com os dados oficiais do governo e do setor”.