Logo DCM
Logo DCM
Apoie o DCM

A crise na Disney após ameaça de Trump a Jimmy Kimmel

O apresentador Jimmy Kimmel e o presidente Donald Trump. Foto: Divulgação

Nas primeiras semanas à frente da Disney, Josh D’Amaro acumulou uma sequência de desafios desde sua chegada. Ele assumiu o comando após a saída de Bob Iger e tem trajetória ligada aos parques e experiências da empresa. O caso mais recente envolve a permanência do apresentador Jimmy Kimmel no ar. 

Donald Trump e Melania Trump afirmaram que Kimmel deveria ser demitido após uma piada exibida no “Jimmy Kimmel Live!” na quinta-feira anterior. No programa, o apresentador simulou ser o mestre de cerimônias do jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca e, ao se dirigir a uma versão fictícia de Melania, disse que ela tinha o “brilho” de uma “viúva em expectativa”.

Na segunda-feira (29), Melania Trump afirmou que Kimmel “não deveria ter a oportunidade de entrar em nossas casas todas as noites para espalhar ódio”. Apesar da declaração, a Disney não retirou o apresentador do ar nem adotou medidas públicas contra ele, mantendo a exibição regular do programa.

Não há sinais de que a Disney pretenda demitir Kimmel. Na verdade, o CEO novato enviou a mensagem oposta na segunda-feira.

“Foi uma piada muito leve sobre o fato de que ele tem quase 80 anos e ela é mais jovem do que ele”, disse Kimmel em seu monólogo. “Não foi, de forma alguma, um chamado ao assassinato, e eles sabem disso”, falou ele em seu programa Jimmy Kimmel Live!

Nos bastidores, a gestão da crise envolve a presidente da Disney, Dana Walden, e o conselho da empresa. “Ele é de classe mundial, então tenho certeza de que estará à altura da ocasião e fará o que é certo”, disse ele, observando que D’Amaro seria “orientado pelo conselho”, afirmou James P. Gorman, presidente do conselho.

Analistas apontam que a situação pode influenciar decisões estratégicas futuras da companhia, incluindo o papel das operações de televisão. “Será muito interessante ver como Josh navega isso — se ele mostra disposição para enfrentar algumas decisões realmente difíceis”, disse Rich Greenfield.

“Espero que isso catalise discussões mais profundas sobre quais ativos são críticos para a Walt Disney Company e quais ativos são secundários. A televisão de late-night não dá dinheiro para a Disney. Por que eles estão nesse negócio?”, concluiu.

Josh D’Amaro diretor executivo da Disney. Foto: Divulgação

A medida da Comissão Federal de Comunicações é considerada incomum e pode gerar disputa judicial. Especialistas avaliam que a empresa teria base legal para contestar eventual decisão contrária, mas o processo pode se arrastar por longo período.

“É altamente incomum que um novo CEO receba um teste tão grande tão cedo”, disse Jeffrey Sonnenfeld, presidente do Chief Executive Leadership Institute de Yale. “É um fardo, mas também pode ser extremamente valioso. Josh agora vai ver em quem pode confiar internamente, quem entende como ele quer operar.”

A Disney afirmou estar “confiante” de que suas emissoras seguem as regras e declarou que está pronta para se defender “através dos canais legais apropriados”. A empresa controla estações em grandes mercados, considerados estratégicos para a operação da ABC.

“Nosso histórico demonstra nossas qualificações contínuas como licenciados sob a lei de comunicações e a Primeira Emenda”, disse a Disney, acrescentando que estava preparada para se defender “através dos canais legais apropriados”.