
A derrota histórica de Jorge Messias no plenário do Senado abriu uma crise de grandes proporções entre o presidente Lula e Davi Alcolumbre. No Palácio do Planalto, a avaliação já é de rompimento definitivo com o presidente da Casa, apontado por aliados do governo como o principal articulador da rejeição ao nome indicado para o Supremo Tribunal Federal. Com informações de Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo.
Messias foi barrado por 42 votos contra 34, tornando-se o primeiro indicado a uma vaga no STF rejeitado pelo Senado desde 1894. O resultado demoliu a expectativa construída pelo governo ao longo do dia e transformou a votação em um dos maiores constrangimentos políticos do terceiro mandato de Lula.
Segundo interlocutores ouvidos pela coluna de Mônica Bergamo, Alcolumbre vinha semeando pânico entre governistas desde a manhã ao dizer que já teria cerca de 50 votos para derrotar Messias. A leitura no Planalto é que o senador não apenas se recusou a ajudar, como trabalhou ativamente para inviabilizar a aprovação do advogado-geral da União.

Antes mesmo do resultado, auxiliares de Lula já defendiam que Alcolumbre “deverá sofrer” pelo movimento contra o Planalto. Entre as medidas em discussão estão a demissão de todos os indicados do senador no governo federal e uma ofensiva eleitoral para enfraquecer seus aliados no Amapá nas eleições de outubro.
O clima entre petistas é de que não há mais espaço para conciliação. Nem mesmo pautas consideradas estratégicas, como a tramitação do fim da escala 6×1 e da redução da jornada de trabalho, seriam motivo suficiente para manter uma relação amistosa com o presidente do Senado. A ordem agora é empurrar para Alcolumbre o desgaste de qualquer obstrução futura.