
Aliados do presidente Lula (PT) passaram a defender que ele deixe aberta a vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) após a rejeição de Jorge Messias pelo Senado. A avaliação desse grupo é que uma nova indicação, feita em meio à crise política aberta pela derrota, poderia expor o governo a outro revés na Casa. Com informações da Folha de S.Paulo.
Messias foi rejeitado pelo plenário do Senado nesta quarta-feira (29), por 42 votos contrários e 34 favoráveis. Para ser aprovado, o advogado-geral da União precisava de ao menos 41 votos, maioria absoluta dos 81 senadores. A indicação foi arquivada após a votação secreta.
O argumento dos aliados que defendem a cadeira vaga é político e eleitoral. Eles afirmam que Lula já sofreu uma derrota histórica e que insistir em uma nova indicação sem garantia de votos poderia ampliar o desgaste do Planalto, especialmente em ano de eleição. A rejeição de Messias foi a primeira de um indicado ao STF em 132 anos.
O #Senado rejeitou a indicação de #JorgeMessias ao #STF, com 34 votos favoráveis e 42 contrários.
A votação foi marcada por tumulto no plenário após a abertura do painel. Com o resultado, Messias se torna o primeiro indicado ao Supremo rejeitado na Nova República.
A indicação… pic.twitter.com/uqAHWqbCbV
— Congresso em Foco (@congressoemfoco) April 29, 2026
Outro ponto citado por esse grupo é o calendário do Congresso. A escolha de um ministro do STF exige indicação formal do presidente, sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e votação no plenário do Senado. Em ano eleitoral, aliados avaliam que haveria pouco espaço político para concluir esse processo depois do recesso de julho.
Uma ala do governo, porém, defende o caminho oposto. Para esses interlocutores, Lula deveria reagir à derrota e enviar ao Senado um nome considerado difícil de rejeitar. Entre governistas, há a avaliação de que a indicação de uma mulher negra poderia recompor parte do diálogo com a base progressista, que já havia cobrado essa escolha antes da indicação de Messias.
Lula ainda não decidiu o que fará. Se deixar a cadeira vaga, o STF seguirá desfalcado até uma nova indicação ser aprovada pelo Senado. O risco político apontado por aliados é que, caso Lula não seja reeleito, a escolha do próximo ministro fique para o novo presidente da República.