
O presidente Lula (PT) sinalizou a aliados, na noite de quarta-feira (29), que pretende indicar um novo nome ao Supremo Tribunal Federal (STF) e não deve deixar a vaga aberta para o próximo governo. A conversa ocorreu no Palácio da Alvorada, após o Senado rejeitar a indicação de Jorge Messias, advogado-geral da União, para a Corte.
Segundo o g1, participantes da conversa afirmaram que o presidente pretende fazer uma nova escolha, embora não de forma imediata. A expectativa no entorno presidencial é que a indicação seja definida nas próximas semanas, depois de uma nova rodada de conversas políticas.
Messias estava presente na reunião. O presidente teria dito a interlocutores que recebeu com tranquilidade a decisão do Congresso, mas a derrota acendeu alertas no governo. O indicado recebeu apenas 34 votos favoráveis, abaixo dos 41 necessários para aprovação, em votação secreta no plenário do Senado.
Um ministro que participou da reunião no Alvorada afirmou ao blog que “Não há hipótese de o presidente Lula abrir mão da sua prerrogativa de indicar um nome ao STF”.

Apesar do tom de serenidade atribuído a Lula, aliados avaliaram que o placar expôs traições dentro da base governista. Durante o encontro, ministros ligados ao Centrão e ao PT apontaram falhas na articulação política e disseram que lideranças não conseguiram antecipar a dimensão da derrota no plenário.
Quando ficou claro, ainda durante a sessão, que Messias poderia ser rejeitado, articuladores do governo tentaram adiar a votação. A iniciativa, porém, não foi aceita pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
Outro ponto discutido foi o impacto da rejeição na relação do Planalto com lideranças do Congresso. O nome do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) foi citado durante a conversa como alguém que teria votado contra o indicado. A derrota reforçou, entre os presentes, a avaliação de que Lula deve agir para garantir sua indicação ao STF ainda neste mandato.
A rejeição de Messias também reativou a pressão de movimentos negros pela escolha de uma mulher negra para o Supremo. Entidades como a Coalizão Negra por Direitos, Mulheres Negras Decidem e o Instituto da Defesa da População Negra (IDPN) voltaram a cobrar que Lula faça uma indicação inédita na história da Corte.
Para esses grupos, a derrota de Messias zera a disputa e recoloca no centro do debate a necessidade de ampliar a representatividade racial e de gênero no tribunal. Em mais de 130 anos de história, o STF nunca teve uma ministra negra.
Dentro do governo, porém, a possibilidade ainda não convenceu o Palácio do Planalto, segundo apuração do SBT News. Nem mesmo o argumento de que esse perfil poderia constranger o Senado diante de uma nova rejeição foi considerado suficiente, até agora, por interlocutores de Lula.