
A relação entre o governo de Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), passou a ser considerada rompida por integrantes do Planalto após a rejeição do nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF). A avaliação interna é de que a atuação do senador foi decisiva para o resultado.
Interlocutores do governo ouvidos pela coluna de Mônica Bergamo na Folha de S.Paulo relatam sentimento de frustração com Alcolumbre. Apesar de declarações públicas indicarem que Lula recebeu o resultado com tranquilidade, aliados apontam que houve forte insatisfação nos bastidores após a votação.
Antes mesmo da sabatina, governistas já demonstravam preocupação com a articulação no Senado. Alcolumbre relatou a pessoas próximas que reunia cerca de 50 votos contrários ao indicado.
Após a derrota, integrantes da base passaram a discutir possíveis reações políticas. Entre as propostas, está a ideia de enfraquecer o grupo político do senador no Amapá, especialmente nas eleições previstas para outubro.

Outra medida defendida por aliados é a substituição de indicados ligados a Alcolumbre em cargos no governo federal. A proposta é vista como parte de um processo de distanciamento entre o Planalto e o presidente do Senado.
Mesmo com pautas dependendo da aprovação do Senado, integrantes do governo avaliam que não há mais espaço para manutenção da relação política nos moldes anteriores. Entre os temas em discussão está o fim da escala de trabalho 6×1.
A avaliação de aliados é de que eventuais atrasos na tramitação dessas propostas poderão ser atribuídos à condução do Senado. Nesse cenário, Alcolumbre passaria a arcar com o desgaste político por possíveis entraves.