Logo DCM
Logo DCM
Apoie o DCM

USP, Unicamp e Unesp vivem epidemia de baratas, ratos, vermes e comida podre nos refeitórios

Restaurante da Faculdade de Direito da USP tem falta de carne – mas não de larvas – em suas refeições (crédito: Centro Acadêmico XI de Agosto)

Os restaurantes subsidiados das três maiores universidades públicas do Estado de São Paulo – USP, Unicamp e Unesp – vivem uma epidemia de infestação por ratos, baratas, vermes e toda a sorte de sujeira e objetos estranhos encontrados no meio da comida servida aos estudantes.

Ao longo desta administração do governo estadual e da anterior, os restaurantes universitários (RUs) foram sistematicamente privatizados pelas universidades públicas, movimento que foi levando à piora do serviço e ao aumento exponencial nas reclamações dos estudantes.

“Privatiza que melhora”? Estudantes da Faculdade de Direito da USP fazem campanha pelo fim da terceirização do restaurante universitário (crédito: C.A. XI de Agosto)

As reclamações são constantes e acontecem há anos, mas nunca chegaram à quantidade e à gravidade que atingiram do começo de 2025 até hoje. Veja, abaixo, os principais casos denunciados pela comunidade acadêmica das três universidades estaduais.

1 – USP São Carlos: Infestação por baratas, vermes e até broca enferrujada na comida

O campus de São Carlos da USP tem mais de 9,6 mil alunos e oferece 22 cursos de graduação nas áreas de engenharia, física, química e computação.

No início desta semana, alunos denunciaram uma infestação de baratas no prédio do restaurante central da universidade. Veja o vídeo abaixo:

A USP publicou uma nota oficial em resposta às reclamações, afirmando se tratar de “uma presença pontual de insetos”.

Na verdade, porém, as reclamações a respeito do restaurante são tudo menos pontuais. O DCM recebeu uma série de imagens enviadas por estudantes e registradas de janeiro deste ano até o início desta semana, que mostram ao que são submetidos os estudantes que dependem do restaurante.

Uma broca enferrujada foi servida junto com o macarrão no dia 24 deste mês (crédito: arquivo pessoal)
Uma larva acompanhou o arroz com feijão no dia 26 de março deste ano (crédito: arquivo pessoal)
Um animal não identificado serviu de guarnição para o peixe servido no início deste mês (crédito: arquivo pessoal)

2 – Faculdade de Direito da USP: proteína animal, só a de insetos e larvas encontradas na comida

Restaurante da Faculdade de Direito da USP tem falta de carne – mas não de larvas – em suas refeições (crédito: Centro Acadêmico XI de Agosto)

Alunos da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), que fica no Largo São Francisco, no centro da capital, enfrentam uma série de problemas no restaurante universitário da instituição, conhecido como Bandejão.

A presença de insetos e larvas na comida e o desabastecimento de carne, que provoca longas filas de espera até que o alimento seja reposto, são as principais reclamações enviadas ao Centro Acadêmico XI de Agosto, que tem recebido diversas denúncias sobre o assunto.

No dia de 3 março deste ano, um deles afirmava que a proteína acabou às 13:50. “Trabalhadores vieram avisar que a comida demorará cerca de 40 minutos para chegar. Um descaso completo com os estudantes”, diz o texto.

Dois dias depois, mais uma reclamação sobre o assunto: “Quando cheguei havia acabado a proteína, não é a primeira vez que acontece. Vou ter que jantar arroz, feijão e o molho que sobrou”.

Segundo o Centro Acadêmico, também há registros de desabastecimento da proteína vegetal, opção vegetariana que, quando disponível, se torna a principal alternativa em meio à falta de carne. Outras reclamações são sobre os atrasos no horário de abertura do Bandejão e a qualidade da comida entregue. Uma imagem enviada ao Centro Acadêmico mostra um pedaço de frango verde.

Secretário de organização do Centro Acadêmico, Francisco Sereza, de 20 anos, diz que a situação tem impactado a permanência de estudantes mais vulneráveis. “Quando o bandejão atrasa 40 minutos, isso impede que quem trabalha possa comer”, ressalta o aluno, lembrando que parte dos estudantes almoça às pressas entre a aula e o estágio.

3 – USP Ribeirão Preto: Lagartixas junto com o sal, larvas e palito de dente usado na comida

Estudantes da USP em Ribeirão Preto (SP) relatam má qualidade nos alimentos servidos nos restaurantes universitários, além de objetos estranhos encontrados nas refeições.

A universidade e a empresa responsável negam irregularidades, destacando que o serviço passa por fiscalização e “há poucas reclamações formais”.

Trata-se de uma mentira pura e simples. Na realidade, os problemas de descaso e higiene são tantos que os estudantes criaram até uma página no Instagram só para denunciar e exibir os objetos estranhos encontrados em suas bandejas de comida servidos na universidade estadual. Na página, há imagens de larvas, fios de cabelo, pedaços de madeira e insetos não identificados que fazem parte do cardápio servido aos estudantes rotineiramente.

Imagem registrada no dia 16 deste mês mostra larva viva dentro de tomate servido em restaurante da USP Ribeirão Preto (crédito: reprodução)

4 – USP Piracicaba: 11 estudantes têm intoxicação alimentar, e Vigilância Sanitária é acionada

Alunos protestam contra a má qualidade da alimentação no campus da USP em Piracicaba e pedem fim da terceirização do restaurante universitário (crédito: reprodução)

A Vigilância Sanitária foi chamada no restaurante universitário do campus da Universidade de São Paulo (USP) em Piracicaba (SP) para apurar as causas que levaram estudantes a passarem mal após comer no local, em julho do ano passado.

A PUSP-RP, prefeitura do campus, afirmou que recebeu 11 denúncias formais de universitários que relataram sintomas diversos após se alimentarem no Restaurante Universitário (Rucas), como desconfortos gastrointestinais, diarreia, febre e vômito.

As denúncias envolveram integrantes da graduação e pós-graduação que frequentaram o restaurante durante o almoço e/ou jantar. A universitária Julia Sampaio informou que jantou no Rucas e que buscou um pronto socorro da rede particular para atendimento médico no dia seguinte.

Após ouvir relatos semelhantes de outros estudantes nas redes sociais, ela disse que começou a desconfiar de que os sintomas poderiam ser decorrentes da alimentação no Rucas. “Fui para o Pronto Socorro, vomitei. Fui atendida, tomei soro e outras medicações”, contou ela, que demorou uma semana para se recuperar inteiramente.

O mestrando João Humberto também procurou atendimento em uma rede particular de Piracicaba no mesmo dia. “O médico comentou que eu era a quinta pessoa da USP com o mesmo quadro clínico. Ele pediu um exame de sangue e deu, realmente, grau de inflamação do corpo”, afirmou.

Em resposta, a PUSP-RP disse que iria apurar o ocorrido, mas ninguém foi punido, e a empresa terceirizada segue até hoje prestando o serviço, que continua sendo alvo frequente de reclamações dos estudantes.

5 – Comida com besouros, larvas e estragada no restaurante da USP Leste 

Inseto não identificado encontrado na comida servida no restaurante universitário da USP Leste (crédito: DCE-USP)

No dia 15 deste mês, estudantes denunciaram problemas graves na qualidade da comida servida no Restaurante Universitário (RU) da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH), na zona leste de São Paulo.

As queixas incluem desde a presença de carunchos, pequenos insetos semelhantes a besouros que costumam infestar grãos armazenados, no feijão, até relatos de comida estragada e episódios de intoxicação alimentar.

O Centro Acadêmico do curso de Gestão de Políticas Públicas relatou que os problemas teriam se intensificado desde o início do ano. Estudantes afirmam ter encontrado insetos em alimentos servidos, além de sobremesas com sinais de mofo. Um dos casos envolve uma aluna que teria apresentado quadro de intoxicação alimentar após consumir a refeição no local.

Um episódio recente chamou ainda mais atenção: a suspensão do feijão no almoço após a identificação de contaminação por carunchos. Segundo os estudantes, a informação foi confirmada internamente, mas o aviso exibido no bandejão mencionava apenas “problemas técnicos”, sem detalhar o motivo. Para o centro acadêmico, a comunicação foi genérica e omitiu a gravidade da situação. A USP nega irregularidades e afirma terem sido registrados apenas “problemas pontuais”.

6 – Larva no frango e falta de comida nos restaurantes da Unicamp

Na Unicamp, quando não falta comida, o frango é servido com larvas (crédito: reprodução)

Na mais recente denúncia apurada pelo DCM, estudantes da Unicamp relataram na última quarta-feira (29) a má qualidade das refeições servidas no restaurante universitário da instituição. Publicações dos alunos mostram imagens de larvas encontradas na comida.

Além disso, a entidade representativa dos estuantes chamada CorrentezaUnicamp publicou um texto denunciando que o restaurante do campus de Limeira da universidade deixou de funcionar por falta de comida nesta quinta (30):

“Em pleno dia de mobilização para as assembleias de paralisação dos estudantes, foram encontradas larvas no frango em diversos pedaços. Além disso, em Limeira, que se encontra já hoje paralisada, acabou a comida do bandejão! Mesmo com a Unicamp afirmando que ‘melhorou a comida dos restaurantes’ e colocando mais dinheiro público na empresa terceirizada por ‘aumento de uso pelas repetições’, esses absurdos ainda acontecem e põe em risco nossa alimentação!”

7 – Ratos e pombos se servem livremente em restaurante universitário da Unesp

Em abril do ano passado, estudantes da Faculdade de Engenharia do campus de São João da Boa Vista, da Unesp, mostraram em vídeos a situação do refeitório da instituição, onde pombos e ratos foram flagrados.

Pombos aparecem em cima das mesas e nas baias onde as comidas são servidas. Fotos e vídeos expondo o caso da cantina, gerida por uma empresa contratada por meio de licitação, foram publicados nas redes sociais pelo Movimento dos Estudantes Independentes da Unesp.

Um vídeo flagrou um rato dentro da cozinha do refeitório. Nas imagens, funcionários e alunos aparecem tentando capturar o animal, que se esconde atrás dos móveis e foge em seguida ao ser coagido com uma vassoura.