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PM invade USP de São Carlos (SP) durante greve e estudantes denunciam repressão

Estudantes da USP estão em greve desde o dia 23 de abril Foto: Divulgação

Nesta quinta-feira (30), estudantes da Universidade de São Paulo (USP) em São Carlos denunciaramm uma ação repressiva da Polícia Militar (PM), chamada pela própria universidade para conter o movimento estudantil. O caso revela, segundo os estudantes, um claro distanciamento da universidade em relação ao reconhecimento das suas demandas e movimentações.

De acordo com o Diretório Central dos Estudantes (DCE) Livre da USP, a presença da PM não está relacionada a questões de segurança, mas sim a uma tentativa de repressão.

“Não é sobre segurança. É sobre repressão. É sobre tentar calar uma mobilização legítima, construída coletivamente e aprovada em assembleia geral presencial, a instância máxima de decisão dos estudantes”, disseram eles em nota postada nas redes.

Na última Assembleia Geral realizada, os estudantes decidiram, por meio de uma votação auditável, manter a greve. Foram 674 votos favoráveis à continuidade da paralisação, contra 322 votos contrários.

A greve segue mobilizada por pautas concretas e urgentes, como a permanência estudantil, a melhoria da infraestrutura no campus e a autonomia dos espaços estudantis.

“Não vamos recuar diante de ameaças nem aceitar a criminalização da nossa luta”, afirmam os estudantes, que reforçam a importância da persistência do movimento estudantil em meio à repressão.

Entenda a motivação da greve

Na quarta-feira (29), os estudantes da Universidade de São Paulo (USP) decidiram continuar a greve iniciada em 23 de abril, após rejeitarem as propostas apresentadas pela reitoria durante uma Assembleia Geral realizada na Faculdade de Medicina.

O movimento, que conta com a adesão de 104 cursos, busca melhorias na permanência estudantil, na infraestrutura do campus e nas condições dos Restaurantes Universitários (RU), conhecidos como bandejão.

Durante a reunião, os alunos discutiram as propostas da reitoria, mas as consideraram insuficientes para atender suas principais demandas. O reajuste do Programa de Apoio à Formação e Permanência Estudantil (Papfe), melhorias no bandejão, ampliação de políticas de inclusão e a autonomia dos espaços estudantis estavam entre as questões não atendidas.

A proposta também não garantiu o cancelamento de contratos com as empresas responsáveis pelos restaurantes universitários, que os estudantes alegam oferecer alimentos de qualidade insatisfatória.

A greve foi motivada, inicialmente, pelo apoio dos estudantes à greve dos servidores da USP, que paralisaram suas atividades após o governo da universidade ter estabelecido uma bonificação salarial exclusiva para os docentes, deixando os demais trabalhadores sem o benefício.

Entre as propostas apresentadas pela reitoria, estava a criação de um grupo de trabalho composto por docentes e estudantes para discutir a questão dos espaços estudantis nos diversos campi da USP. Além disso, foi sugerido um reajuste no valor dos auxílios do Papfe, com base na inflação, mas os estudantes defendem um aumento significativo, equiparando os valores ao salário mínimo paulista, que atualmente é de R$ 1.804.

Os estudantes afirmam que as propostas da reitoria “jogam tudo para grupos de trabalho e adiam a resolução de problemas urgentes”, e reiteram que não irão recuar na greve até que suas demandas sejam atendidas.