
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), sinalizou a integrantes da oposição que pode pautar pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) em 2027, em troca de apoio à sua reeleição ao comando da Casa. Com informações da coluna Painel, na Folha de S.Paulo.
A movimentação ocorre em meio à pressão de senadores bolsonaristas sobre a sucessão no Senado. Alcolumbre tem segurado pedidos de afastamento de integrantes do Supremo, mas não descartou abrir algum processo caso seja reconduzido à presidência da Casa em fevereiro de 2027.
Nos últimos dias, o presidente do Senado já havia imposto derrotas ao governo Lula. Ele colocou em votação a indicação de Jorge Messias ao STF, rejeitada pelo plenário, e pautou a derrubada de vetos ao PL da Dosimetria, proposta que reduz penas e pode beneficiar Jair Bolsonaro e condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro.

A oposição prometeu apoio a Alcolumbre, mas uma ala do PL ainda cobra um gesto concreto antes das eleições de outubro. Esses parlamentares afirmam, nos bastidores, que só confiarão no presidente do Senado se um processo de impeachment contra ministro do STF for efetivamente aberto.
O grupo também defende que o próximo presidente do Senado seja um bolsonarista. O nome mais cotado hoje é o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro.
A negociação amplia o desgaste entre Senado e Supremo e insere o tribunal no centro da disputa pela sucessão da Casa. Pelo desenho relatado, Alcolumbre tenta preservar apoio da oposição sem entregar imediatamente a abertura de processos contra ministros do STF.