
Por Leonardo Sakamoto, no Uol
Com 318 votos de deputados federais e 49 de senadores, o Congresso Nacional reforçou que tem bandidos de estimação ao derrubar o veto de Lula ao projeto de lei que reduz penas a quem tentou um golpe de Estado. Com isso, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), apontado como o líder de uma organização criminosa que tentou jogar no lixo o voto da maioria dos eleitores, pode ter a pena reduzida.
Ele, que foi condenado a 27 anos e três meses de xilindró, teria que ficar de seis a oito anos em regime fechado e poderá ficar menos de 2,5 anos.
O PL da Dosimetria foi aprovado e, agora, ressuscitado sob a justificativa de beneficiar os peixes pequenos do 8 de janeiro de 2023, mas mirou, de fato, os líderes do ataque contra a democracia. Os golpistinhas, que foram de bucha de canhão descartável no violento ataque às sedes dos Três Poderes, serviram novamente às necessidades dos golpistões que articularam tomada de poder e assassinatos no final de 2022.
Como qualquer marmota sonolenta já podia prever quando o projeto foi aprovado em dezembro do ano passado, Lula iria vetar, o Congresso derrubaria o veto e o caso iria parar no STF.
Nem bem o país deu uma demonstração de maturidade política ao condenar um ex-presidente e generais que tentaram abolir de forma violenta o Estado democrático de direito, parlamentares entraram de sola com um projeto de lei que mitiga os efeitos da decisão.
Como já disse aqui, chamar as coisas pelo seu nome real ajuda a compreender como elas estão inseridas no roteiro desta grande pornochanchada chamada Brasil. A partir do momento em que são condenados por organização criminosa armada e por tentar roubar a democracia, os réus podem ser chamados de criminosos, com respaldo judicial. Em suma, de bandidos.
Alcolumbre simplesmente confessando que o PL da dosimetria desmonta a Lei Antifacção assinada por Lula. O que isso significa? Que além do Bolsonaro, beneficiará feminicídas, traficantes, estupradores, milicianos…
CONGRESSO INIMIGO DO POVO
SEM ANISTIA pic.twitter.com/EA66lPOziw— Lázaro Rosa 🇧🇷 (@lazarorosa25) April 30, 2026
E bandido de maior periculosidade do que o sujeito que rouba um pacote de carne no mercado para matar a fome da família e que, depois, é espancado pelos seguranças, preso pela polícia e condenado pela Justiça — quando não é morto.
Sob qualquer ótica que não seja míope, abolir o Estado democrático de direito é algo com consequências muito mais graves do que o roubo de galinha. Só que este vai ser sempre bandido, e o que rouba a democracia não aceita nada menos que ser chamado de dotô pelo policial federal que efetua a prisão ou de tadinho pela massa de extrema direita que clama por impunidade.
Considerando que temos uma sociedade hipócrita que, não raro, trata sonegador bilionário como herói, faz muito sentido.
A massa presa no 8 de janeiro de 2023 tem que acertar contas com a Justiça pelos seus atos, mas foi usada naquele momento e está sendo usada agora novamente. Se Bolsonaro tivesse que escolher entre sua anistia e a de centenas de seus seguidores, daria uma banana para a massa. E ainda construiria a narrativa de que é ele quem faz esse sacrifício, em nome do país.
Golpes não punidos com rigor engravidam o país de novos golpes, como foi com o de 1964. Diante disso, fica a pergunta: quando será o próximo?