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Antes de ter certezas, faça perguntas sobre o caso Messias. Por Moisés Mendes

Jorge Messias, da AGU, de cabeça baixa, com as mãos no rosto
Jorge Messias, da AGU – Reprodução

As redes sociais, os jornalistas de direita e esquerda, os palpiteiros de todas as áreas e todos os que têm certezas estão muito à frente de Lula para resolver o impasse pós-Messias.

É só fazer isso ou aquilo e depois aquilo outro e cercar Alcolumbre, a Globo e a extrema direita. É tão fácil que nem precisa combinar com os russos.

Abaixo, algumas perguntas que circulam em torno de quem ainda tem dúvidas:

1. Lula deve ficar no lugar, respirar fundo e não tentar avançar nenhuma casa do jogo nesse momento? Quando Lula deve se mexer de novo?

2. Uma reação forte hoje dependeria do povo nas ruas. Mas o povo sairia de novo como fez em 21 de setembro, contra a PEC da Bandidagem e a anistia, quando deu um susto e obrigou o recuo do centrão e do bolsonarismo?

3. A sugestão mais frequente defende a indicação de uma jurista negra, que emparedasse Alcolumbre e o fascismo pela imposição da sua sabedoria e por ser mulher. Mas Alcolumbre colocaria outro nome em pauta sem pressão popular?

4. Quando teremos o tamanho do dano das afrontas, com a rejeição ao nome de Messias e a derrubada do veto de Lula à dosimetria? Os danos e os novos gestos serão ampliados ou contidos nos próximos dias e meses?

5. O governo sempre teve Alcolumbre como principal e mais confiável interlocutor no Congresso. A corda se rompeu e falam em aproximação de Lula e Hugo Motta. Mas quem confia em Hugo Motta?

6. Qual será a reação do Supremo, mesmo que por movimentos avulsos, em torno da ideia de moralização e reformas de Fachin e Dino como respostas às provocações do Congresso?

7. O Supremo sempre tratou a pão de ló os chefes de facções Aécio Neves, Hugo Motta, Davi Alcolumbre, Ciro Nogueira, Valdemar Costa Netto, Gilberto Kassab e até Flávio Bolsonaro. Todos são mal agradecidos. Continuarão merecendo deferências?

8. Que relevância teria tido a sabotagem de Alexandre de Moraes a Messias, por não querer que o advogado-geral se juntasse, como evangélico, a André Mendonça, que tem o controle do Caso Master e pode cercar Moraes?

9. Direita, extrema direita e grande imprensa convergiram pela primeira vez de forma incondicional em tudo que envolveu a indicação de Jorge Messias. Até quando irá esse conluio?

10. Se Jorge Messias não fosse evangélico, a goleada teria sido maior?

Publicado originalmente no Blog do Moisés Mendes