
O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), negou que integrantes da Corte tenham interferido na rejeição de Jorge Messias pelo Senado. Em entrevista ao SBT News, ele atribuiu a derrota do indicado de Lula a uma crise de coordenação política do governo.
“Eu estou longe de poder acreditar que algum ministro do Supremo interferiu para a rejeição de Jorge Messias. Não faz o menor sentido, portanto, não vejo sentido nessa intervenção”, afirmou Gilmar. Ele também rejeitou versões de bastidor sobre eventual atuação do próprio líder do governo para facilitar a derrota.
A fala ocorre após fontes do Planalto atribuírem a uma ala do STF atuação para enfraquecer o apoio a Messias no Senado. A resistência teria relação com o alinhamento do indicado ao ministro André Mendonça e com sua defesa de um Código de Ética para a magistratura.
Messias foi barrado no plenário do Senado por 42 votos contrários e 34 favoráveis. Para ser aprovado ao Supremo, precisava de ao menos 41 votos. O resultado impôs a Lula uma derrota histórica na tentativa de emplacar o advogado-geral da União na Corte.
Gilmar disse que o episódio não se explica por falta de qualificação do indicado, mas por falha de articulação. “Não se trata de uma rejeição por falta de requisitos profissionais, se trata de uma crise política”, afirmou o ministro.
O decano afirmou que a derrota deve acender um alerta no governo. “A mim me parece que é um problema sério de coordenação política e de coordenação administrativa numa questão extremamente sensível como era a votação de um ministro do Supremo na Comissão de Constituição e Justiça e depois no plenário do Senado”, disse.
Gilmar completou que o caso exige revisão interna no Planalto. “É mais do que um sinal de alerta, é um chafariz, é na verdade um refletor que diz: se a gente está aqui, a gente não está bem, é preciso que se faça essa revisão e que cada qual assuma a sua responsabilidade nesse grande latifúndio”, afirmou.
Assista abaixo ao trecho da entrevista de Gilmar Mendes ao SBT News: