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PCC adota método do Comando Vermelho para aumentar seu controle sobre Paraisópolis

Barreira no meio da rua controla acesso em Paraisópolis (SP) – Foto: Reprodução

O Primeiro Comando da Capital ampliou seu controle territorial na favela de Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, nos últimos dois anos. Segundo relatos de moradores, comerciantes e autoridades ouvidas, o grupo passou a adotar práticas associadas ao Comando Vermelho, incluindo bloqueio de vias e cobrança de taxas. Com informações da Folha de S.Paulo.

O cenário descrito inclui medidas que afetam a rotina dos cerca de 60 mil moradores da comunidade. Entre as ações apontadas estão fiscalização de atividades comerciais, imposição de cobranças financeiras e controle sobre a circulação de pessoas em determinados pontos da favela.

Moradores indicam a existência de bloqueios em vias de acesso, como no cruzamento das ruas Ernest Renan e Melchior Giola, onde foi instalada uma grade de ferro para controle de entrada e saída. O local é monitorado por pessoas que exigem identificação de quem tenta passar.

Relatos também apontam cobrança de taxas a comerciantes e a moradores para realização de atividades na comunidade. Uma moradora afirmou ter sido obrigada a pagar para executar um serviço, enquanto outra relatou dificuldades enfrentadas por organizações sociais para manter suas atividades.

Homem sentado na calçada durante ataques de 2006 – Foto: Reprodução

Além do controle territorial, Paraisópolis passou a ser utilizada como espaço para resolução de conflitos internos da facção. Segundo um promotor ouvido, integrantes são levados a um local conhecido como “laje”, onde ocorrem julgamentos internos e definição de punições.

A presença do PCC na comunidade remonta a 2003, antes dos ataques de maio de 2006. A consolidação do domínio ocorreu após disputa com um grupo que controlava a área desde a década de 1980. Desde então, o tráfico de drogas é realizado com participação de grupos locais ligados à facção.

O governo do estado de São Paulo, sob gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos), informou que monitora a região com ações de inteligência e operações policiais. A administração afirmou que não há impedimento à atuação das forças de segurança nas áreas citadas.

A União dos Moradores e do Comércio de Paraisópolis negou qualquer vínculo com o PCC. O presidente da entidade afirmou que as informações não procedem e destacou a atuação social realizada na comunidade, incluindo distribuição de refeições e atividades culturais.