
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes procurou interlocutores do presidente Lula para afirmar que não atuou contra a indicação de Jorge Messias à Corte, segundo a coluna de Mônica Bergamo na Folha de S.Paulo. A movimentação ocorreu após a rejeição do nome de Messias pelo Senado, em 29 de abril.
Moraes também enviou mensagem direta ao advogado-geral da União lamentando o resultado da votação, mas não recebeu resposta até o fim de semana. Paralelamente, manteve conversas com integrantes do primeiro escalão do governo para rebater a percepção de que teria atuado nos bastidores contra a indicação.
No Palácio do Planalto, há avaliação de que o ministro deu suporte político ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que liderou a articulação que resultou na derrota de Messias por 42 votos contrários e 34 favoráveis. Moraes é considerado aliado próximo de Alcolumbre.
O ministro demonstrou contrariedade com reportagens que apontaram a participação dele na articulação. Interlocutores do governo e do STF afirmaram ao presidente que não há registro de atuação direta, como pedidos de voto a senadores.

Esses aliados argumentam que Moraes não teria influência suficiente no Senado para conduzir uma campanha contra a indicação. Segundo eles, a articulação política foi liderada por Alcolumbre e Moraes manteve posição discreta.
Ministros do STF também citam que Moraes participou de uma tentativa de aproximação ao integrar um encontro com Alcolumbre e Messias na casa de Cristiano Zanin. Na ocasião, o presidente do Senado sinalizou resistência à aprovação do nome.
Apesar das explicações, Lula mantém a avaliação de que Moraes participou do movimento que resultou na rejeição. No entorno do presidente, há leitura de que o resultado fortaleceu Alcolumbre, com possíveis impactos na condução do Senado nos próximos anos.