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VÍDEO: Chico Alencar é ameaçado por advogado bolsonarista de Van Hattem no Conselho de Ética

Chico Alencar e Jeffrey Chiquini. Foto: reprodução

A sessão do Conselho de Ética da Câmara dos Deputados que aprovou a suspensão dos mandatos de três deputados bolsonaristas por 60 dias foi marcada por bate-boca, tumulto e uma ameaça ao deputado federal Chico Alencar (PSOL-RJ). O episódio ocorreu durante a análise dos processos, na última terça-feira (5), contra parlamentares envolvidos no motim golpista que paralisou os trabalhos da Casa em agosto de 2025.

O advogado Jeffrey Chiquini, que defende o deputado Marcel Van Hattem (Novo-RS), perdeu o controle durante a discussão e disparou contra Chico Alencar: “Sua sorte é ser idoso”. A fala foi feita depois que o parlamentar reagiu a interrupções e deboches do advogado durante sua manifestação no colegiado.

Irritado com a postura de Chiquini, Chico usou o termo “rábula” para se referir ao advogado. A expressão costuma ser usada para designar alguém que atua de forma inadequada ou sem preparo técnico no exercício da advocacia. A partir daí, a sessão entrou em clima de gritaria, com troca de acusações entre parlamentares e defensores dos representados.

Segundo relatos de deputados presentes, Chiquini elevou o tom contra Chico Alencar, até fazer a ameaça ao parlamentar de 76 anos. A Polícia Legislativa precisou intervir, e os trabalhos foram interrompidos momentaneamente.

Em nota publicada nas redes sociais, Chico classificou o episódio como “absurdo” e acusou bolsonaristas de transformar o Conselho de Ética em novo palco de tumulto político. “Não satisfeitos em tumultuarem os trabalhos da Casa, ocupando a mesa diretora em favor dos golpistas, motivo da representação contra eles, tumultuam o CoÉtica que julga seus atos”, afirmou.

A deputada Maria do Rosário (PT-RS) também reagiu à fala do advogado. “Foi uma ameaça. Isso não pode acontecer. Eles estão tentando que não seja votado. Isso é uma ameaça, é um desrespeito”, declarou. Fernanda Melchionna (PSOL-RS) classificou o episódio como “violência política” e ataque às instituições democráticas.

A sessão julgava os deputados Marcos Pollon (PL-RS), Zé Trovão (PL-SC) e Marcel Van Hattem pela participação na ocupação da Mesa Diretora da Câmara. O motim foi organizado para pressionar pela votação de uma anistia a envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro.

Na ocasião, Pollon chegou a sentar na cadeira da Presidência da Câmara para impedir o retorno de Hugo Motta ao comando da sessão. Van Hattem ocupou uma das cadeiras da Mesa Diretora, enquanto Zé Trovão teria usado o corpo para bloquear fisicamente o acesso do presidente da Casa.

O relator Moses Rodrigues endureceu a punição sugerida pela Mesa Diretora e ampliou de 30 para 60 dias a suspensão dos mandatos. “Não se pode admitir que um grupo de parlamentares, qualquer que seja sua ideologia política, tente impor a pauta de seu interesse mediante chantagem pela ocupação física dos espaços de deliberação”, afirmou no parecer.

Os pareceres contra Pollon e Van Hattem foram aprovados por 13 votos a 4. O caso de Zé Trovão teve placar de 15 a 4. A decisão ainda passará pela Comissão de Constituição e Justiça e pelo plenário da Câmara, onde precisará de ao menos 257 votos.