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Governo pede para ministros evitarem comentários sobre Ciro Nogueira; entenda

O senador Ciro Nogueira. Foto: Divulgação

O Palácio do Planalto orientou ministros e auxiliares do governo Lula a evitarem manifestações públicas sobre a operação da Polícia Federal contra o senador Ciro Nogueira, presidente nacional do PP e ex-ministro da Casa Civil do governo Jair Bolsonaro. A determinação foi repassada logo após a PF cumprir mandado de busca e apreensão contra o parlamentar nesta quinta-feira (7).

Segundo apuração do Estadão, a estratégia do governo busca impedir que a operação seja interpretada como reação política à derrota sofrida pelo Planalto no Senado Federal com a rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF). A orientação inclui evitar publicações em redes sociais e declarações à imprensa sobre o caso envolvendo o senador do PP.

A rejeição de Messias marcou a primeira derrota desse tipo em 132 anos de história do Senado. O advogado-geral da União precisava de ao menos 41 votos favoráveis para assumir uma cadeira no STF, mas recebeu apenas 34 votos, enquanto 42 senadores votaram contra a indicação apresentada pelo presidente Lula.

Nos bastidores do governo, integrantes do Planalto avaliam que parlamentares do Centrão tiveram papel decisivo no resultado. Apesar de ter declarado publicamente apoio a Messias, Ciro Nogueira é visto por aliados de Lula como um dos articuladores políticos da derrota no Senado.

Jorge Messias ao lado do presidente Lula. Foto: Divulgação

A operação da Polícia Federal integra uma nova fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas envolvendo o Banco Master e o banqueiro Daniel Vorcaro. Conforme as investigações, a PF encontrou indícios de que assessores ligados ao banco elaboraram uma proposta de emenda apresentada posteriormente por Ciro no Congresso Nacional.

Segundo a investigação, a proposta alterava regras do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e previa elevar a cobertura individual de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante. O texto acabou não sendo aprovado. Em mensagens analisadas pela PF, Vorcaro teria afirmado que a emenda “saiu exatamente como mandei”.

A Polícia Federal também aponta suspeitas de vantagens indevidas ligadas à atuação parlamentar do senador. A investigação apura possíveis conexões entre interesses do Banco Master e movimentações políticas no Congresso Nacional.