
Eu já vi gente inconformada com todo tipo de coisa: morte de cachorro, caxumba, dor de cabeça, frieira, chute de namorada, chuva na hora do futebol, bronca da mãe, topada do dedo mindinho do pé na cadeira.
Como a bancada da GloboNews depois do triunfo de Lula na visita a Trump em Washington, nunca.
A apresentador Mônica Waldvogel abre a conversa com a estupefação: “Qual a avaliação que vocês fazem desse encontro que foi tão esperado?”
Entra Maria Cristina Fernandes: “Bem, Mônica, eu falei com algumas pessoas que participaram e não consegui com nenhuma a explicação de por que o Lula ofereceu essa oportunidade de mão beijada. Ele conseguiu uma foto, ele conseguiu amabilidade…”
“E sorrisos”, completa Mônica.
Maria Cristina lembra que não estavam presentes Marco Rubio, secretário de Estado, e Pete Hegseth, de Defesa.
Os especialistas em tudo não sabia dizer “por que Trump fez isso”. Joel Pinheiro da Fonseca não se corformava: “Será que para Trump é tão relevante aparecer com o presidente do Brasil?” (Joel, diga-se, é aquele que escreveu uma coluna antológica na Folha intitulada dizendo que Lula deveria “sair do palanque e ter a grandeza de ligar para Trump”).
Gerson Camarotti viu apenas promessas numa “conversa amigável”. Mônica concedeu uma “astúcia”. O cientista político Fernando Abrucio era o único que não parecia ter tomado uma surra de gato morto, mas foi dragado pelo vira-latismo.
A resposta cristalina é uma só: aconteceu o que aconteceu porque Lula é o maior político em atividade no mundo democrático. Ponto. Deu um nó tático em Trump.
Por que o time ganhou? Porque é melhor. Ponto.
O próprio Donald resumiu: ele é dinâmico, esperto e um homem bom. O que mais é preciso? Lula deu um nó tático no americano.
O problema é que o óbvio ululante nunca será enxergado por jornalistas de cativeiro. Se desse errado, eles teriam todas as explicações na manga, vindas de setecentas fontes anônimas.
Convido você a dar risadas vendo isso.