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Celulares, dinheiro e vape: militares brasileiros são investigados por furtos no Líbano

Soldados brasileiros no Líbano. Foto: AFP

Dois militares brasileiros que atuaram em missões no Líbano, entre 2019 e 2020, foram investigados por furtos no país. Documentos de apurações internas do Ministério da Defesa, obtidos via Lei de Acesso à Informação, relatam casos envolvendo celulares, dinheiro, uma camiseta e até um cigarro eletrônico. Com informações do Metrópoles.

Um dos casos envolve o ex-sargento da Marinha Fábio Araújo da Silva, integrante da Força Interina da Organização das Nações Unidas no Líbano (Unifil). Segundo a investigação, ele furtou dois celulares e um cigarro eletrônico durante uma festa de réveillon em 2019, no restaurante Inka, em Beirute.

Também foi levado da bolsa de uma mulher um valor equivalente a mais de R$ 3 mil. Inicialmente, Fábio negou e chegou a “jurar” que não era o autor dos furtos, mas depois confessou estar com os aparelhos e pediu que os fatos não fossem levados “para cima”, para não prejudicar sua carreira.

Em depoimento, o capitão-tenente Victor Corrêa de Souza relatou que Fábio devolveu os celulares e pagou o dinheiro desaparecido. O cigarro eletrônico foi entregue um dia depois por um amigo libanês do militar. No inquérito, o amigo afirmou que Fábio disse ter pegado o objeto por engano, mas não quis entrar no restaurante por estar envergonhado. Imagens de câmeras de segurança, porém, mostraram o militar furtando os celulares em momentos de distração das vítimas e, segundo Victor, também levando o vape após o barman virar de costas.

O segundo caso, ocorrido em janeiro de 2020, envolve o cabo da Marinha Felipe Silva Sales, também a serviço da Unifil. Ele foi acusado de furtar uma camisa social bege da loja Brands For Less, em Beirute. Segundo a apuração, Felipe entrou no provador com três peças — uma calça e duas camisas — e saiu às pressas com apenas uma. Funcionários relataram que o dispositivo de segurança de uma camisa foi arrancado. O militar voltou cerca de 10 minutos depois “com os lábios secos e bastante nervoso” e pagou cerca de US$ 81 pela peça, valor debitado de um cartão internacional fornecido pela Marinha. Ele negou o furto e disse que saiu correndo porque estava “com dor de barriga”.

Captura de tela mostra parte da investigação do Ministério da Defesa sobre furto no Líbano - Metrópoles
Trecho da investigação conduzida pelo Ministério da Defesa contra o cabo Felipe

Os casos foram parar na Justiça Militar. Fábio Araújo da Silva foi condenado em 2022 a 2 anos, 2 meses e 7 dias de prisão, em regime inicial aberto, por furto e crime continuado. A sentença também determinou sua expulsão da Marinha do Brasil, com base no artigo 102 do Código Penal Militar; a punição passou a valer em março de 2024, após o STF negar o último recurso da defesa. Já Felipe Silva Sales foi absolvido na primeira instância. O juiz Alexandre Augusto Quintas afirmou que não havia provas suficientes para condenação e registrou que o pagamento da camisa foi justificado pelo militar como forma de evitar “maiores percalços em país estrangeiro”, não como admissão de culpa.