Diário do Centro do Mundo | O que interessa e nada mais

Logo DCM
Logo DCM
Apoie o DCM

Festival Eurovision virou arma de Israel em meio ao genocídio em Gaza, revela investigação

A representação de Israel no Eurovision 2026

Uma investigação do jornal The New York Times revelou que o governo de Israel conduziu uma campanha ampla e coordenada para influenciar o resultado do festival de música Eurovision e impedir que o país fosse excluído da competição por causa da guerra em Gaza.

Segundo a reportagem, diplomatas israelenses pressionaram emissoras públicas e autoridades europeias ao longo de 2025 para garantir a permanência de Israel no festival. O esforço começou meses antes do concurso e envolveu campanhas publicitárias milionárias, mobilização de grupos pró-Israel e atuação direta do governo de Benjamin Netanyahu.

A disputa deste ano, realizada em Viena, Áustria, no Wiener Stadthalle, ocorreu após a maior crise dos 70 anos do Eurovision. Cinco países — incluindo Islândia, Irlanda e Eslovênia — decidiram boicotar o evento em protesto contra a participação israelense.

Nos bastidores, o governo israelense tratava o festival como uma ferramenta de “soft power”, buscando melhorar sua imagem internacional em meio às acusações de genocídio feitas por uma comissão da Organização das Nações Unidas — acusações que Israel nega.

Documentos obtidos pelo jornal mostram que Israel gastou pelo menos US$ 1 milhão em campanhas relacionadas ao Eurovision desde 2024. Parte do dinheiro veio do escritório de “hasbara” de Netanyahu — termo hebraico para ações de propaganda internacional.

A estratégia incluía anúncios em várias línguas incentivando o público europeu a votar repetidamente nos representantes israelenses. Em 2025, o próprio Netanyahu publicou nas redes sociais mensagens pedindo que as pessoas votassem até 20 vezes na cantora israelense Yuval Raphael.

A investigação afirma que o impacto pode ter sido decisivo. Em alguns países, poucas centenas de votos extras já seriam suficientes para alterar o resultado do televoto. Israel acabou vencendo o voto popular em nações onde pesquisas indicam forte rejeição à guerra em Gaza.

Não há evidências de uso de robôs ou fraude digital. O centro da controvérsia está no financiamento estatal e na mobilização política em torno de um concurso que oficialmente proíbe interferência governamental.

A própria European Broadcasting Union, responsável pelo festival, evitou investigar profundamente o caso. Segundo a reportagem, dirigentes ocultaram relatórios internos, desestimularam emissoras a falar com jornalistas e cancelaram votações sobre a possível exclusão de Israel.

O presidente israelense Isaac Herzog chegou a defender o uso do Eurovision como vitrine internacional. “A voz de Israel deve ser ouvida em todos os lugares”, afirmou.

A crise ameaça o futuro do próprio Eurovision. Projeções financeiras internas apontaram que os boicotes poderiam custar centenas de milhares de dólares à organização. Patrocinadores também passaram a demonstrar resistência diante da politização do evento.

O diretor do Eurovision, Martin Green, admitiu que a controvérsia envolvendo Israel é um dos maiores desafios já enfrentados pelo festival, mas negou que a campanha israelense tenha sido decisiva para os resultados.

Mesmo assim, o escândalo continua crescendo. Neste ano, novas propagandas ligadas ao representante israelense Noam Bettan voltaram a circular nas redes sociais incentivando votos em massa.