
Dois casos investigados nos últimos meses passaram a atingir, ainda que de forma indireta, a pré-campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência. Os casos Banco Master e Carbono Oculto devem dar munição a aliados de Lula na disputa eleitoral de 2026.
No caso Master, o principal desgaste envolve Ciro Nogueira, presidente nacional do PP e aliado próximo da família Bolsonaro. O senador foi alvo da Polícia Federal na semana passada após a divulgação de diálogos que indicariam o recebimento de uma mesada do banqueiro Daniel Vorcaro.
Ciro Nogueira era tratado como peça importante para ampliar a base de Flávio Bolsonaro no Centrão. O senador do PP foi citado pelo filho de Jair Bolsonaro como nome com “todas as credenciais” para ocupar a vice em uma chapa presidencial.
A operação da Polícia Federal sobre o Banco Master acendeu alerta no entorno de Flávio Bolsonaro e passou a interferir nas negociações da direita para 2026. Os integrantes da campanha admitem impacto no campo bolsonarista, já que o PP era cotado para indicar o vice na chapa.

A segunda frente é a Operação Carbono Oculto, que apura possível lavagem de dinheiro do PCC por meio de fintechs e do setor de combustíveis. As investigações trouxeram revelações que afetam pessoas ligadas à campanha de Flávio Bolsonaro.
Os dois casos, somados, criam um flanco político contra o pré-candidato do PL. A avaliação é que a proximidade de aliados de Flávio Bolsonaro com alvos ou personagens atingidos pelas apurações pode ser explorada por adversários durante a campanha.
A pré-campanha de Flávio Bolsonaro já vinha tentando reorganizar alianças em meio ao avanço de investigações sobre o Banco Master. Agora, a combinação entre Master e Carbono Oculto amplia o desgaste sobre o núcleo político que tenta viabilizar o senador como candidato do bolsonarismo contra Lula.