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Empresa que intermediou filme de Bolsonaro recebeu R$ 159 milhões ligados a Vorcaro

Daniel Vorcaro e Jair Bolsonaro
O banqueiro Daniel Vorcaro e o ex-presidente Jair Bolsonaro – Reprodução

A Entre Investimentos e Participações, empresa que teria intermediado repasses do banqueiro Daniel Vorcaro à produção do filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, recebeu R$ 159,2 milhões de fundos investigados pela Polícia Federal por suspeita de ligação com fraudes no Banco Master. Os dados constam em relatórios de inteligência financeira do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) sobre empresas ligadas ao banco e que tiveram algum tipo de relação com a Entre.

A empresa aparece no caso após a revelação de mensagens e um áudio em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) cobra Vorcaro por pagamentos relacionados ao filme sobre seu pai. Em uma das mensagens, enviada em novembro de 2025, Flávio escreveu: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs”. O acordo total previa o pagamento de R$ 124 milhões, dos quais R$ 61 milhões teriam sido pagos pelo dono do Master.

Mensagens trocadas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. Foto: Reprodução/Intercept Brasil

Em outro áudio enviado a Vorcaro, Flávio demonstrou preocupação com atrasos nos repasses e citou nomes ligados à produção internacional do filme. “Imagina a gente dando calote num Jim Caviezel, num Cyrus [Nowrasteh], os caras, pô, renomadíssimos lá no cinema americano e mundial. Pô, ia ser muito ruim”, afirmou. Ele acrescentou: “Agora que é a reta final que a gente não pode vacilar, não pode não honrar com os compromissos aqui, porque senão a gente perde tudo”.

A Entre Investimentos faz parte do grupo Entrepay, de Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como “Mineiro”. A Entrepay foi liquidada pelo Banco Central em março deste ano. Segundo a decisão, a medida foi tomada por “comprometimento da situação econômico-financeira” da companhia, irregularidades no cumprimento das normas do setor e prejuízos capazes de expor credores a risco anormal.

A maior parte dos repasses à Entre veio da Sefer Investimentos, que transferiu R$ 139,2 milhões. A empresa foi alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero, em janeiro, por relações com Vorcaro. Outro repasse, de R$ 20 milhões, partiu do fundo Gold Style, administrado pela Reag, também ligado ao banqueiro. O fundo Dublin, ligado à Sefer, enviou mais R$ 154,2 milhões à investidora.

Os relatórios também citam movimentações com empresas que não aparecem diretamente ligadas a Vorcaro, mas são mencionadas em outras suspeitas. A Inovanti Bank, segundo informativo bancário recebido pelo Coaf, teria movimentado dinheiro do PCC e enviado R$ 35,7 milhões à Entre Investimentos. Em sentido contrário, a Entre repassou R$ 87,7 milhões à RMD Instituição de Pagamento, antiga RMD Administração Empresarial, apontada como suspeita de operar para a facção.

O Grupo Entre afirmou, em nota, que soube da liquidação extrajudicial da Entrepay pelo Banco Central e que “vinha conduzindo, de forma estruturada, um processo de descontinuação das operações dessas sociedades”. A companhia disse ainda que pretendia encerrar as atividades de forma organizada, cumprindo compromissos e mantendo os serviços durante o processo, e afirmou que “reitera seu compromisso com a colaboração integral com as autoridades competentes”.