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Veja retrata Lula junto a Vorcaro em capa sobre escândalo de Flávio Bolsonaro e o filme do pai

Capa da Veja com Lula e Vorcaro

A capa da Veja desta semana é mais uma para os anais do jornalismo brasileiro. Transformou o presidente Lula em personagem central de um escândalo que envolve diretamente Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Daniel Vorcaro e o financiamento milionário do filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro.

A revista estampou Lula ao lado de Vorcaro com a chamada “História de Cinema”, numa tentativa de embaralhar os fatos e diluir o impacto da revelação feita pelo Intercept Brasil: há áudio, cobrança direta e admissão pública de Flávio Bolsonaro pedindo dinheiro ao dono do Banco Master para bancar a película. Vorcaro repassou ao menos R$ 61 milhões para um fundo que, suspeita-se, sirva na verdade para sustentar Eduardo no Texas.

Contra Lula não existe áudio, mensagem, contrato, transferência bancária, delação ou qualquer documento ligando o presidente ao financiamento de produções associadas a Vorcaro. Tem uma coluna de Lauro Jardim, o mesmo que Vorcaro chamou de amigo em evento pago pelo Master em Nova York.

Mesmo assim, a Veja decidiu reproduzir o mesmo roteiro usado dias antes na GloboNews, quando um PowerPoint exibido no programa de Andréia Sadi colocou Lula ao lado de Vorcaro sem apresentar prova concreta de relação financeira entre ambos.

“Dark Horse” aparece conectado a contratos públicos milionários, emendas parlamentares, assessores pagos pela Câmara trabalhando na produção e uma ONG que recebeu mais de R$ 100 milhões da Prefeitura de São Paulo na gestão Ricardo Nunes (MDB). O caso virou uma crise política para o bolsonarismo porque há rastros, valores, documentos e personagens identificados.

Já no caso do documentário “Lula”, os produtores reagiram publicamente negando qualquer relação financeira com Daniel Vorcaro, o Banco Master ou empresas associadas ao grupo. Ao Metrópoles, os responsáveis pela obra afirmaram que nunca receberam “quaisquer recursos, investimentos, patrocínios ou contribuições de qualquer natureza” ligados ao banqueiro.

O documentário, dirigido por Oliver Stone e Robert S. Wilson, estreou em 2024 e circulou em festivais internacionais como Cannes. Os produtores também afirmaram que poderão adotar medidas judiciais contra o que classificaram como “falsas alegações e informações inverídicas noticiadas publicamente”.

A diferença entre os casos é objetiva. De um lado, existe uma investigação sustentada em documentos, movimentações financeiras e declarações públicas do próprio Flávio Bolsonaro. Do outro, uma operação política e midiática para tentar empurrar Lula para dentro de um escândalo ao qual ele não foi ligado por nenhuma prova concreta.

É pilantragem jornalística pura de uma revista zumbi e mais uma prova de que essa turma não tem cura.

A capa repercutiu nas redes. Veja: