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O plano de B de Vorcaro antes da negociação com o BRB para salvar o Master

Daniel Vorcaro – Foto: Reprodução

Um documento interno do Banco Master, datado de 10 de abril de 2025, mostra um plano rejeitado por Daniel Vorcaro antes de recorrer à proposta de compra do banco pelo BRB. O material consta em mensagens analisadas pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero e foi enviado por Vorcaro ao ex-sócio Augusto Lima. Com informações do Uol.

Segundo os registros extraídos do celular de Vorcaro, ele encaminhou o roteiro a Lima às 20h46 daquele dia. “Irmão pelo amor de Deus. Não passe isso pra ninguém”, escreveu. O ex-sócio respondeu em seguida: “Lógico irmão. Tá doido”.

O plano previa que o BTG Pactual assumiria a gestão do Master por um “valor simbólico”, com participação do FGC (Fundo Garantidor de Crédito) na operação. O BRB aparecia na proposta como responsável por assumir o chamado “bad bank”, estrutura usada para concentrar ativos problemáticos e de risco de uma instituição financeira.

De acordo com a reportagem, a proposta foi articulada entre o Master e o BTG Pactual, mas Vorcaro decidiu rejeitá-la e passou a defender que o BRB comprasse todo o Banco Master. A estatal anunciou a oferta em 31 de março de 2025. A defesa de Vorcaro informou que não iria se manifestar, e a assessoria do BTG não respondeu.

Prédio do banco BTG Pactual – Foto: Reprodução

O roteiro indicava uma cisão parcial do Master. Os ativos que não seriam transferidos ao BRB, avaliados em R$ 43,5 bilhões, com passivos de R$ 33 bilhões, iriam para o Banco Master de Investimento (BMI). O FGC compraria, por valor simbólico, uma opção de 100% do capital do BMI e integralizaria R$ 5 bilhões para cobrir os primeiros vencimentos de CDBs.

Depois disso, o FGC cederia essa opção ao BTG, também por valor simbólico. O BTG assumiria o controle total do BMI e receberia taxa de gestão de 1,25% ao ano sobre o valor contábil inicial dos ativos, o equivalente a até R$ 544 milhões por ano. O plano ainda previa reembolso, pelo FGC, de todas as despesas de recuperação.

O documento também previa que contingências do BMI e do BTG Pactual, inclusive as “decorrentes de quaisquer outras sociedades do grupo do Banco Master e/ou de seus controladores”, seriam indenizadas pelo FGC. Nesse formato, o BTG atuaria como gestor, sem assumir as perdas do Master em seu próprio balanço.

Segundo o documento, Vorcaro garantiria a venda ao BTG com patrimônio líquido de R$ 10,5 bilhões, composto por R$ 2 bilhões em caixa vindos da operação com o BRB e R$ 8,5 bilhões em precatórios. A proposta tinha como premissa a reestruturação das regras de garantia do FGC, o que exigiria aprovação unânime dos bancos S1, as maiores instituições financeiras do país.