
O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) afirmou que o orçamento de Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro (PL), “não é caro” para os padrões de Hollywood. A produção ganhou destaque após o vazamento de um áudio em que Flávio Bolsonaro (PL-RJ) cobra dinheiro do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, que firmou contrato para investir R$ 134 milhões no longa.
“É um filme que, para quem não conhece, vai pensar que é super caro. Não. Para os padrões de Hollywood, não. E ainda assim, o que eu sei é que não conseguiu se captar tudo aquilo que o projeto inicialmente previa”, disse Eduardo Bolsonaro ao Paulo Figueiredo Show. Ele completou que o valor “não é exorbitante, é até barato para os padrões de Hollywood”.
Na mesma live com Figueiredo, o político negou que tenha existido qualquer contrapartida ao dinheiro buscado junto a Vorcaro para bancar o longa e afirmou que o empresário teria recebido apenas “exposição para ser perseguido”.
Eduardo justificou o custo citando o diretor estadunidense Cyrus Nowrasteh, escolhido para escrever o roteiro, e o ator Jim Caviezel, escalado para interpretar Jair Bolsonaro. “Você não faz um filme de 50 mil dólares com o Jim Caviezel, pelo amor de Deus”, afirmou, ao lembrar a atuação do ator em A Paixão de Cristo.
Apesar de documentos obtidos pelo Intercept Brasil mostrarem que Eduardo Bolsonaro assinou contrato como produtor executivo do filme, ele disse que o acordo era “provisório e velho”. O ex-deputado também afirmou que usou US$ 50 mil do próprio bolso para “segurar” Nowrasteh, mas negou ter participado da gestão dos recursos. “Se houver conversas minhas com Vorcaro, parem de me seguir. Não há qualquer possibilidade”, declarou.
🗣️ENTREVISTA AO PAULO FIGUEIREDO | Eduardo Bolsonaro negou ter qualquer conversa, reunião ou contato direto com Daniel Vorcaro.
Segundo ele, não há mensagens, ligações, WhatsApp ou encontros relacionados ao filme: “Categoricamente, não tem nada disso”.
Eduardo também explicou… pic.twitter.com/kza1JhEaYr
— The Incorrupt (@TheIncorrupt_) May 17, 2026
Segundo O Globo, Daniel Vorcaro repassou R$ 62 milhões dos R$ 134 milhões previstos entre fevereiro e maio de 2025. O valor supera os R$ 28 milhões de O Agente Secreto e os R$ 45 milhões de Ainda Estou Aqui, últimos filmes nacionais com indicação ao Oscar. Convertido, o contrato de US$ 24 milhões permitiria produzir 15 dos últimos 20 vencedores do Oscar de melhor filme.

Os repasses foram interrompidos após a prisão de Vorcaro e os escândalos de fraude envolvendo o Banco Master. Em áudio enviado ao banqueiro em 8 de setembro de 2025, Flávio Bolsonaro disse que o filme estava em “momento muito decisivo” e que havia “muita parcela pra trás”. Dois meses depois, escreveu: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente”.
A Polícia Federal apura se os valores enviados ao fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas e gerido por advogado de Eduardo Bolsonaro, foram usados apenas na produção do filme ou se também ajudaram a custear a permanência do ex-deputado nos Estados Unidos. Eduardo Bolsonaro nega ter recebido dinheiro de Daniel Vorcaro ou do fundo e afirmou que os US$ 50 mil foram devolvidos pela produtora GoUp sem passar pela estrutura no Texas.