
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) provocou reação nas redes sociais após fazer declarações sobre a Amazônia e os povos indígenas durante um evento político realizado no Acre. Ao comentar a experiência de visitar a região Norte, o parlamentar utilizou o termo “índio”, considerado ultrapassado e inadequado por organizações indígenas e especialistas em direitos dos povos originários.
Durante o discurso, Nikolas afirmou que tinha uma visão estereotipada da Amazônia antes de conhecer o estado. “Eu achei que ia chegar na Amazônia e, pra mim, meu irmão, era só índio, aqueles negócios vermelhos que passaram em mim, inclusive me dá alergia, eu sou alérgico a vermelho”, declarou, em referência ao urucum usado tradicionalmente por diversos povos indígenas.
Na sequência, o deputado disse que encontrou uma realidade “completamente diferente” daquela que imaginava. Segundo ele, o Acre enfrenta problemas de pobreza e falta de infraestrutura. “A luta de algumas pessoas é construir uma ponte”, afirmou o parlamentar ao citar dificuldades enfrentadas por moradores da região.
A fala repercutiu negativamente não apenas porque o termo “índio” vem sendo substituído há anos por “indígena”, expressão considerada mais correta e respeitosa por remeter à diversidade dos povos originários do Brasil, mas também pela visão preconceituosa que o parlamentar mineiro de extrema-direita mostrou ter dos acreanos.
▶️Nikolas Ferreira foi ao Acre e disse: "achei que era só índio"
Deputado federal e pré-candidato à presidência visitou a Amazônia e confessou ter se surpreendido com a realidade que encontrou lá, dizendo que imaginava uma coisa completamente diferente antes de chegar ao estado. pic.twitter.com/BN5CxYoz5G
— Pesquisas Eleições (@EleicaoBr2026) May 20, 2026
Além da declaração sobre os indígenas, Nikolas Ferreira também criticou o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). O deputado questionou o valor arrecadado pelo órgão ambiental em multas aplicadas ao longo de 2024.
“Vocês têm ideia do quanto o Ibama arrecadou de multa em 2024? R$ 729 milhões. Para onde foi esse dinheiro?”, afirmou. Em seguida, o parlamentar também atacou gastos federais relacionados à COP30, conferência climática da ONU que será realizada em Belém, no Pará.