
A influenciadora e advogada Deolane Bezerra foi presa nesta quinta-feira (21) em uma operação da Polícia Civil de São Paulo que apura um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC. Investigadores afirmam que ela fazia parte de um “oceano de lavagem de dinheiro” identificado a partir de uma carta rasgada encontrada no esgoto de um presídio.
O caso começou em 2019, durante uma vistoria na Penitenciária II Mauricio Henrique Guimarães Pereira, em Presidente Venceslau, no oeste paulista. Agentes penitenciários perceberam que dois detentos haviam jogado algo no vaso sanitário. Um filtro instalado no esgoto reteve pedaços de papel que, reunidos, formavam uma carta destinada a integrantes da facção.
Segundo a investigação, o documento pedia a compra de fuzis e cobrava ataques contra agentes públicos que haviam tomado medidas contra o PCC. A carta também mencionava uma transportadora com sede ao lado da penitenciária. A polícia afirma ter descoberto depois que a empresa seria de fachada e usada para lavar dinheiro do crime organizado.
Após a quebra dos sigilos bancários da transportadora, os investigadores encontraram repasses para Deolane. O casal apontado como dono da empresa segue procurado pela Justiça. A polícia também afirma ter localizado outros indícios contra a influenciadora, entre eles a abertura de 35 empresas no mesmo endereço, uma residência popular ligada a programa habitacional.
Vídeo mostra momento em que a advogada e influenciadora Deolane Bezerra deixa a delegacia para presídio.
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🎦André Fleury Moraes pic.twitter.com/Ze774pRK7G
— Folha de S.Paulo (@folha) May 21, 2026
Na operação, foram apreendidos quatro veículos atribuídos à advogada, avaliados em mais de R$ 5 milhões, em que um deles não é vendido no Brasil. Ao todo, cinco pessoas foram presas. Também foram expedidos mandados contra investigados que já estão no sistema penitenciário federal, incluindo Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola.
Entre os alvos foragidos está Paloma Herbas Camacho, sobrinha de Marcola. A suspeita da polícia é que ela esteja na Espanha, e seu nome já foi incluído no radar de buscas de autoridades estrangeiras. Deolane estava em Roma e, segundo a Veja, teria sido presa na Itália caso não tivesse retornado ao Brasil na quarta-feira (20).
A influenciadora já havia sido presa no ano passado em Pernambuco, em uma investigação sobre lavagem de dinheiro por meio de bets, mas foi solta por habeas corpus e o inquérito acabou arquivado. Desta vez, o Ministério Público afirma que os indícios são mais robustos, e o promotor Lincoln Gakiya avalia que deve apresentar denúncia criminal após a análise das provas colhidas na operação.