
Aliado de Eduardo Bolsonaro, o policial militar André Porciúncula declarou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) patrimônio de R$ 164 mil nas eleições de 2024, quando concorreu a vereador de Salvador pelo PL. O valor contrasta com a casa de US$ 726 mil, cerca de R$ 3,6 milhões, no Texas, que ele diz ter comprado por meio do Mercury Legacy Trust. A informação foi divulgada pelo ex-bolsonarista Rodrigo Constantino no X.
“Com que trabalha Porciúncula hoje? De onde vem a origem desses recursos?”, escreveu Constantino. Segundo ele, casas de valor semelhante na mesma região têm aluguel mensal estimado em cerca de US$ 4 mil, aproximadamente R$ 20 mil, e exigiriam renda anual próxima de US$ 200 mil, cerca de R$ 1 milhão, para bancar o financiamento.
André Porciúncula Alay Esteves é um policial militar da reserva da Bahia e ex-secretário Especial da Cultura do governo Jair Bolsonaro. Alega que é dele a casa de mais de $700k (quase R$ 4 milhões) em Arlington, no Texas. No Zillow, uma casa de valor similar no mesmo lugar custa… pic.twitter.com/1iOHOVWmyZ
— Rodrigo Constantino (@Rconstantino) May 20, 2026
Aliado de Eduardo Bolsonaro, Porciúncula declarou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) patrimônio de R$ 164 mil nas eleições de 2024, quando concorreu a vereador de Salvador pelo PL. O valor contrasta com a casa de US$ 726 mil, cerca de R$ 3,6 milhões, no Texas, que ele diz ter comprado por meio do Mercury Legacy Trust.
O imóvel fica em Arlington, nos arredores de Dallas, e foi adquirido em fevereiro pelo trust administrado por Paulo Calixto, advogado de imigração de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Calixto também administra o Havengate, fundo que recebeu parte dos R$ 61 milhões repassados por Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, para a produção de “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro.
Em entrevista ao Metrópoles, Porciúncula afirmou ser o dono da casa e disse morar no local desde 2023, quando deixou o Brasil. Segundo ele, a compra foi feita por financiamento bancário, e o trust foi usado para reduzir impostos de herança no futuro. O ex-secretário disse que ele e a esposa são donos da estrutura.
O patrimônio declarado por Porciúncula ao TSE, porém, é inferior ao valor do imóvel. Em 2024, ele informou possuir um Honda HR-V 2018 avaliado em R$ 86 mil, uma moto Honda NXR160 Bros ESDD de R$ 8 mil e participações em duas empresas, a Alpen Segurança Patrimonial Ltda. e a Alpen Security Serviços de Portaria, que somavam R$ 70 mil. Na eleição, recebeu 2.758 votos e não se elegeu.
Os registros eleitorais mostram ainda que o patrimônio do aliado de Eduardo caiu 68% em relação a 2022, quando disputou uma vaga de deputado federal pela Bahia como Capitão André Porciúncula e declarou R$ 522 mil em bens. Naquele ano, havia na lista um terreno no Alphaville de Brasília, de R$ 350 mil, e outra moto de R$ 8 mil, que não apareceram em 2024.

Porciúncula foi secretário de Fomento da Cultura na gestão de Mario Frias (PL-SP), hoje produtor-executivo de “Dark Horse”, e chegou a comandar a Secretaria de Cultura no fim do governo Bolsonaro. Após a saída de Jair Bolsonaro do poder, mudou-se para o Texas e fundou o Instituto Liberdade com Paulo Generoso, ex-sócio de Eduardo.
Questionado sobre as inconsistências patrimoniais, eventual venda do terreno em Brasília, atividade profissional nos Estados Unidos e vínculo com a Polícia Militar da Bahia, Porciúncula não respondeu aos pontos. “Desculpe, mas todas essas questões são pessoais. Não tenho cargo público, não vejo motivo para dar explicações”, disse ao Globo.
A atuação de Paulo Calixto ganhou atenção após mensagens reveladas pelo Intercept Brasil mostrarem Eduardo Bolsonaro defendendo que os pagamentos de “Dark Horse” ocorressem nos Estados Unidos.
“O ideal seria haver os recursos já nos EUA. Que dos EUA para o EUA é tranquilo. Se a empresa brasileira a enviar aos EUA não tiver aquele grande orçamento que mencionamos como exemplo, será problemático, vai ser necessário fazer as remessas aos poucos e isto tardaria cerca de 6 meses, calculamos. Solução: enviar o máximo possível ainda neste sistema atual, com o remetente atual e etc. Será que conseguimos?”, escreveu Eduardo.