
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou nas últimas semanas sua retórica contra Cuba, adotando uma estratégia que analistas e diplomatas comparam ao modelo utilizado anteriormente contra a Venezuela. O governo americano ampliou sanções, elevou a pressão diplomática e reforçou sua presença militar no Caribe, enquanto declarações da Casa Branca indicam o objetivo de provocar mudanças no regime cubano.
Segundo a reportagem do jornalista Andrés Gil, publicada pelo jornal espanhol El Diario, a acusação formal apresentada contra Raúl Castro reproduz um movimento semelhante ao adotado por Washington contra Nicolás Maduro anos antes. A medida ocorre em meio ao envio do porta-aviões USS Nimitz para a região e a sucessivas declarações de integrantes do governo americano classificando Cuba como uma ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos.
Ao comentar a situação da ilha, Trump afirmou que pretende “ajudar” Cuba a se reerguer e declarou que poderá ser o presidente responsável por promover mudanças no país. “Parece que serei eu quem fará isso. Então, farei com prazer. Queremos abrir as portas para os cubano-americanos para que possam retornar e ajudar”, disse. O presidente voltou a defender a ampliação da influência americana sobre a ilha e mencionou repetidamente a comunidade cubano-americana da Flórida como apoiadora da iniciativa.
O secretário de Estado Marco Rubio também endureceu o discurso. Sem apresentar provas, afirmou que Cuba abriga estruturas de inteligência ligadas à Rússia e à China e classificou Havana como um dos principais patrocinadores estatais do terrorismo. Questionado sobre uma eventual ação militar, Rubio declarou que a preferência do governo continua sendo uma solução diplomática, mas acrescentou que o presidente tem a obrigação de agir diante de ameaças à segurança nacional.
NEW: 🇺🇸🇨🇺 Marco Rubio with the same script from Iran now against Cuba: “Cuba is sponsor of terror”
“Cuba not only has weapons they’ve acquired from Russia and China, but they also host Russian and Chinese intelligence presence in their country. So Cuba has always posed a… pic.twitter.com/Hr229q7oXT
— Megatron (@Megatron_ron) May 21, 2026
A escalada ocorre em um momento de agravamento da crise econômica cubana. A interrupção do fornecimento de petróleo por parte de fornecedores tradicionais, associada às sanções impostas por Washington, provocou apagões prolongados, escassez de combustíveis e dificuldades crescentes no funcionamento de serviços essenciais. O texto cita avaliações de especialistas que relacionam o endurecimento das sanções ao agravamento das condições sociais e de saúde na ilha.
Além da pressão econômica, decisões recentes do Judiciário americano abriram caminho para processos de indenização relacionados a propriedades nacionalizadas após a Revolução Cubana. Paralelamente, o governo ampliou sanções contra dirigentes e empresas ligadas ao setor de segurança de Cuba e aumentou as restrições a companhias estrangeiras que mantêm negócios com o país.
A movimentação também provocou reação política em Washington. Senadores democratas apresentaram uma resolução destinada a impedir eventual ação militar não autorizada contra Cuba. Parlamentares também se manifestaram contra propostas para utilizar a base de Guantánamo como centro de detenção de migrantes. Uma pesquisa da YouGov citada pela reportagem mostra que 64% dos americanos se opõem a uma guerra contra Cuba, enquanto apenas 15% apoiam uma intervenção militar.
Diplomatas e analistas afirmam que o conjunto de medidas adotadas pelo governo Trump representa uma escalada acelerada de pressões políticas, econômicas e militares sobre Havana. O presidente cubano Miguel Díaz-Canel alertou recentemente que uma eventual intervenção poderia resultar em “um banho de sangue”, enquanto cresce o temor de que o agravamento da crise provoque novas ondas migratórias e amplie a instabilidade regional.