
A ex-oficial de Chancelaria do Itamaraty, Flávia Medeiros, afirmou ser vítima de uma “decisão injusta” após ser exonerada do cargo nesta sexta-feira (22). Ela havia sido barrada no concurso destinado a cotas raciais depois de ser considerada branca pela banca de heteroidentificação responsável pela análise dos candidatos autodeclarados negros.
Medeiros chegou a conseguir uma decisão favorável no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), que permitiu sua posse no cargo. No entanto, a Advocacia-Geral da União (AGU) derrubou a liminar no último dia 5, levando à sua exoneração cerca de dois meses após assumir a função no Ministério das Relações Exteriores.
“A banca de heteroidentificação em 2024 me considerou uma pessoa branca, de pele clara, algo completamente em desacordo com a realidade. Depois de receber essa notícia estarrecedora, entrei na Justiça e obtive uma decisão favorável, que agora foi revertida pela AGU”, declarou.
Ela também relatou insegurança em relação ao futuro profissional e financeiro após a perda do cargo.
“Tenho insegurança quanto ao futuro. Não sei quando meu recurso será julgado. Me mudei de Vitória para Brasília, fiz inúmeros compromissos financeiros e hoje não tenho emprego por causa dessa decisão injusta. Injustiças têm acontecido”, afirmou.
ABSURDO! Mulher é exonerada do Ministério das Relações Exteriores após banca concluir que ela não é negra. pic.twitter.com/Yu8QW1haPA
— poponze (@poponze) May 24, 2026
O caso começou em 2024, quando o comitê de heteroidentificação do concurso reprovou a candidatura de Flávia Medeiros nas vagas destinadas a cotas raciais. Após recurso administrativo sem sucesso, ela acionou a Justiça contra a avaliação realizada pelo Cebraspe e conseguiu autorização judicial para seguir no certame.
Com a decisão favorável em primeira instância, Medeiros participou do curso de formação, foi aprovada e tomou posse em 1º de abril de 2026. Durante cerca de dois meses, atuou normalmente em uma divisão da chancelaria brasileira, até sofrer a derrota judicial em segunda instância.
A exoneração foi assinada pelo secretário substituto de Gestão Administrativa do Itamaraty, Guilherme José Roeder Friaça, e publicada no Diário Oficial da União na sexta-feira.
O Ministério das Relações Exteriores e a AGU foram procurados, mas não se manifestaram sobre o caso.