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Como Banco Master usou fundo de R$ 5,4 bilhões para maquiar dívidas

Fachada do Banco Master. Foto: reprodução

O fundo SDG II comprou R$ 3,6 bilhões em empréstimos ligados à fraude atribuída a Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. A operação, segundo apurações sobre a conduta do banco, teria sido usada para limpar o balanço da instituição e retirar de suas contas créditos considerados de má qualidade.

A venda dos créditos melhorou, no papel, a situação financeira do Master. Com os empréstimos fora do balanço, o banco passou a ter mais espaço para conceder novos financiamentos e captar recursos por meio de CDBs. O risco de calote deixou de aparecer diretamente nas contas da instituição e passou a recair sobre os cotistas do SDG II.

Segundo a investigação, o uso de fundos fechava um ciclo de fraudes. O Master captava dinheiro com CDBs, emprestava os valores a empresas de fachada, e essas companhias aplicavam parte do dinheiro em fundos. Depois, os próprios fundos compravam os empréstimos feitos pelo banco a essas empresas.

Na prática, os empréstimos não eram cobrados, beneficiando empresas que não pagavam as dívidas. O calote não recaía sobre o balanço do Master, o que poderia aparecer nos controles do Banco Central, mas ficava no fundo, classificado tecnicamente como FIDC, Fundo de Investimentos em Direitos Creditórios.

O SDG II continua ativo, com R$ 5,4 bilhões, e tem dois cotistas, segundo dados da Comissão de Valores Mobiliários. Um deles é o Hans 95, apontado como fundo central na teia de fraudes do Master. A participação ocorre por meio do fundo Anna, um dos seis fundos fraudulentos identificados pelo Banco Central no início das investigações.

Daniel Vorcaro, ex-CEO do Banco Master. Foto: reprodução

O outro cotista é a empresa MKS Soluções Integradas, uma das 36 companhias que, segundo as apurações, fizeram empréstimos simulados no Master. As operações analisadas ocorreram entre 2020 e 2024. Procurado desde o dia 8 por meio da assessoria de imprensa, o Banco Master não respondeu aos questionamentos.

O balanço do SDG II mostra que, dos R$ 3,6 bilhões em ativos ligados à fraude do Master, pelo menos R$ 1,1 bilhão corresponde a direitos creditórios vendidos diretamente pelo banco ao fundo. Não é possível identificar, pelos documentos, quem tomou o empréstimo que originou essa operação.

A empresa que mais recebeu recursos foi a Lormont Participações, com quase R$ 553 milhões. Desse total, ao menos R$ 102 milhões foram vendidos ao fundo pelo Master.

A companhia é ligada ao empresário Nelson Tanure, que afirmou, por meio de assessoria, ter sido cliente do banco “nas mesmas condições em que foi e segue sendo atendido por outras instituições financeiras, numa relação de operações financeiras corriqueiras que fazem parte do cotidiano da vida profissional de empresários e investidores de todo mercado de valores mobiliários”.

“O empresário não tem conhecimento sobre hipotética cessão de crédito entre as próprias instituições financeiras”, acrescentou a assessoria.

O segundo maior caso envolve o Banvox, que foi de Mauricio Quadrado, ex-sócio de Vorcaro no Master. O SDG II possui uma debênture de R$ 380 milhões ligada à empresa. Hoje, os papéis estão em nome da DV Holding, de Vorcaro. “A Banvox Holding não vendeu nenhum ativo para qualquer FIDC ligado ao Master ou a terceiros”, afirmou a empresa. Fonte: texto enviado pelo usuário.