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“Holocausto Brasileiro”: Hospital psiquiátrico Colônia é desativado definitivamente

Hospital Colônia
Fechamento simbólico da porta do Pavilhão Antônio Carlos com cadeado. Foto: Wesley Barbosa/TV Integração

O Hospital Colônia de Barbacena, em Minas Gerais, símbolo do chamado “Holocausto Brasileiro”, teve suas atividades encerradas nesta segunda-feira (25). A desinstitucionalização dos últimos 14 pacientes foi oficializada em uma cerimônia que marcou o fechamento simbólico da porta do Pavilhão Antônio Carlos com um cadeado. Os moradores foram transferidos para um lar terapêutico no município.

Inaugurado em 1903 como Sanatório de Barbacena, inicialmente voltado ao tratamento de tuberculose, o local passou a funcionar como hospital psiquiátrico em 1911. Ao longo das décadas, tornou-se símbolo de um modelo manicomial marcado por superlotação, abandono, confinamento forçado e violações de direitos. Segundo o governo de Minas Gerais, os últimos pacientes viveram, em média, 49 anos internados. A idade média atual é de 73 anos, e três deles chegaram à instituição antes dos 15 anos.

De acordo com a Prefeitura de Barbacena, o encerramento representa o fim de “um capítulo doloroso da saúde mental no Brasil” e abre caminho para uma etapa baseada em dignidade, liberdade e cuidado humanizado. Apesar do fechamento do pavilhão, o Centro Hospitalar Psiquiátrico continuará como referência para crises agudas e atendimentos ambulatoriais dentro da Rede de Atenção Psicossocial do SUS. A cidade também mantém Serviços de Residências Terapêuticas que acolhem mais de 160 moradores, com foco na reconstrução de vínculos, autonomia e cidadania.

Ilustrativa
Pacientes do Hospital Colônia de Barbacena. Foto: Divulgação

De acordo com a Prefeitura de Barbacena, o encerramento representa o fim de “um capítulo doloroso da saúde mental no Brasil” e abre caminho para uma etapa baseada em dignidade, liberdade e cuidado humanizado. Apesar do fechamento do pavilhão, o Centro Hospitalar Psiquiátrico continuará como referência para crises agudas e atendimentos ambulatoriais dentro da Rede de Atenção Psicossocial do SUS. A cidade também mantém Serviços de Residências Terapêuticas que acolhem mais de 160 moradores, com foco na reconstrução de vínculos, autonomia e cidadania.

Entre 1942 e 2020, cerca de 40 mil pessoas passaram pela instituição, e aproximadamente 24 mil morreram, segundo números citados pela CNN. Em determinados períodos, o hospital chegou a abrigar 3.500 pacientes ao mesmo tempo. Muitos foram internados em contextos de abandono familiar, preconceito, sofrimento psíquico leve ou comportamentos considerados inadequados pela sociedade, em uma época anterior à consolidação da reforma psiquiátrica.

A história do Colônia foi reconstituída no livro-reportagem “Holocausto Brasileiro”, de Daniela Arbex, lançado em 2013, e depois em documentário da HBO. A obra expôs violações cometidas durante décadas contra pessoas internadas à força, muitas vezes sem diagnóstico de transtorno mental. Durante a cerimônia de fechamento, o secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti, afirmou que a história de milhares de pessoas “que foram jogadas e morreram nos pavilhões” se encerra com a saída dos últimos pacientes.