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Calor sufoca Europa, põe Itália em alerta vermelho e bate recordes em maio

Homem se refresca na fonte Barcaccia, perto da Escadaria Espanhola, durante onda de calor em Roma
Homem se refresca na fonte Barcaccia, perto da Escadaria Espanhola, durante onda de calor em Roma. Foto: FILIPPO MONTEFORTE / AFP

A onda de calor na Europa levou a Itália a declarar alerta vermelho nesta quinta-feira (28) para Roma e outras quatro cidades, enquanto Portugal e França registraram recordes de temperatura para um mês de maio. O calor precoce atinge a Europa ocidental ainda na primavera e já pressiona serviços de saúde, escolas, turismo e eventos esportivos.

Desde o início da semana, a região enfrenta uma massa de ar quente incomum para esta época do ano. O fenômeno, chamado por especialistas de “cúpula de calor”, ocorre quando o ar quente vindo do norte da África fica preso sob um sistema de alta pressão sobre a Europa ocidental. O resultado são temperaturas típicas do verão boreal, que só começa em 21 de junho.

Na Itália, o Ministério da Saúde acionou o alerta vermelho, nível mais alto, para Roma, Florença, Bolonha, Turim e Brescia. A medida indica uma emergência de calor capaz de causar danos não apenas a idosos, crianças pequenas e pessoas com doenças crônicas, mas também a pessoas saudáveis e ativas.

As autoridades italianas recomendaram que moradores e turistas evitem exposição direta ao sol. Em Roma, visitantes recorreram a fontes, sombra e hidratação constante para suportar o calor. “Estamos suando muito”, disse a turista espanhola Nana Martínez, que tentava se refrescar perto do Coliseu, onde os termômetros marcavam 32°C.

Martínez e María Ángeles Mellinas Tello afirmaram que estavam bebendo muita água e procurando permanecer na sombra sempre que possível. “E os chapéus. O chapéu é indispensável!”, acrescentaram. O turista americano Josh Ren relatou que mudou a rotina para sair mais cedo, fazer pausas e permanecer em museus ou locais fechados nas horas mais quentes.

Portugal e França batem marcas históricas para maio

Sinner lamenta queda em Roland Garros após passar mal: 'Ninguém é robô,  preciso de um tempo' - Estadão
Jannik Sinner passa mal. Foot: Reprodução

Em Portugal, a temperatura chegou a 40,3°C em Mora, no centro do país, segundo a agência meteorológica nacional. A marca superou o recorde anterior para maio, de 40°C, registrado em 2001. A ministra da Saúde portuguesa afirmou que as altas temperaturas provocaram aumento nas hospitalizações.

Na França, a situação também é grave. Em Angoulême-La Couronne, no sudoeste do país, os termômetros atingiram 37,8°C, recorde nacional para maio, de acordo com a Météo-France. Autoridades francesas e britânicas relacionaram várias mortes, direta ou indiretamente, ao calor nos últimos dias.

O calor levou uma escola no sudoeste francês a suspender as aulas até sexta-feira à tarde depois que corredores chegaram a 53°C na terça-feira. Segundo Florian Deygas, funcionário da região de Landes, alguns alunos passaram mal. “Um deles chegou a desmaiar e vomitar”, afirmou.

Paris também sente os efeitos da onda de calor e pode registrar uma sequência inédita de oito dias acima de 30°C em maio. O calor chegou ao torneio de Roland Garros, nos arredores da capital francesa, onde a organização passou a molhar as quadras de saibro depois de cada set e a encharcá-las ao fim do dia para preservar as camadas da superfície.

No torneio, o italiano Jannik Sinner, apontado como grande favorito, passou mal por causa do calor e perdeu na segunda rodada para o argentino Juan Manuel Cerúndolo. O chefe de manutenção Philippe Vaillant explicou que a água é usada “para repor a água nas diferentes camadas que compõem o saibro”.

Na Espanha, a agência nacional de meteorologia, Aemet, emitiu alertas de calor para áreas do nordeste e do norte, com previsão de até 37°C. O órgão classificou as temperaturas como “extraordinariamente altas” para esta época do ano, embora preveja queda na próxima semana.

Cientistas apontam que as mudanças climáticas provocadas pela atividade humana tornam eventos extremos, como ondas de calor, secas e inundações, mais intensos. Um estudo da Allianz Trade também alertou que ondas de calor como a atual podem custar caro às economias europeias e às contas públicas, com impacto sobre crescimento e arrecadação fiscal.