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Erika Hilton, os sinhozinhos, os escravos e o racismo. Por Moisés Mendes

Fernanda Melchionna rindo durante discurso de Erika Hilton. Foto: reprodução

Vejam esse comentário infeliz de William Waack em artigo no Estadão, com essa chamada de capa:

“Celebrando o atraso: tramitação do fim da 6×1 é aula sobre o Brasil patrimonialista. O marketing político do governo se empenhou em transformar empregadores em senhores de senzala e empregados em seres hipossuficientes que só o Estado protege”.

William Waack deveria evitar analogias desse tipo, em que acusa o governo de tratar empresários como escravistas.

Escravidão é pauta de alto risco para esse sujeito mandado embora da Globo por uma fala racista captada antes de entrar ao vivo de Washington.

Waack sabe que a PEC aprovada pela Câmara foi proposta pela deputada Erika Hilton. Erika é negra e trans. Deveria tomar cuidado ao defender os senhores das senzalas.

Manchete do artigo de William Waack. Foto: Reprodução

A CENA

Para quem não se lembra. Em 2017, preparando-se para entrar no ar, ao lado do colega Paulo Sotero, William Waack ouviu buzinas de carro ao fundo.

Irritou-se com o barulho e se deu então o seguinte diálogo:

Waack (virando-se para a rua, que está às suas costas): Tá buzinando por quê? Ô seu merda do cacete! Deve ser um… Não vou nem falar porque eu sei quem é, né?

(Sotero se aproxima para ouvir.)

Waack: Preto, né?

(Os dois riem.)

Waack: Fazer isso é coisa de preto.

Sotero: Sim.

Waack: Com certeza.

(Por que relembrar tudo isso agora? Porque Waack provocou nossa memória ao falar de senhores de escravos. Se tivesse dito outra bobagem, em outra direção, com outros patrões do século 21, esse registro não existiria.)