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Pelo menos 40 milhões de jovens entre 13 e 15 anos utilizam produtos de tabaco, e o uso de cigarros eletrônicos e sachês de nicotina segue em crescimento entre adolescentes, alertou a Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta sexta-feira (29). Em antecipação ao Dia Mundial Sem Tabaco, celebrado neste domingo, o órgão pediu que governos atuem para evitar que uma nova geração se torne dependente da nicotina e citou o Rio de Janeiro como exemplo de ação local.
“Mesmo com o tabaco continuando a matar milhões de pessoas, grandes empresas de tabaco estão reinventando seu modelo de negócios, continuando a lucrar com cigarros mortais enquanto promovem agressivamente cigarros eletrônicos aromatizados, sachês de nicotina e outros produtos de nicotina voltados para viciar a próxima geração”, afirmou Etienne Krug, diretor do Departamento de Determinantes da Saúde, Promoção e Prevenção da OMS.
O comunicado destacou que governos nacionais e locais têm papel fundamental na regulamentação desses produtos. “Um desses exemplos é a cidade do Rio de Janeiro, Brasil, que emergiu como um modelo de liderança em ação local para conter o uso de nicotina e proteger jovens da dependência”, apontou a OMS.
Na capital fluminense, a fiscalização contra a venda e publicidade de cigarros eletrônicos foi intensificada, com centenas de inspeções para garantir o cumprimento da proibição e das leis de ambientes livres de fumaça e vapor. Campanhas de conscientização foram lançadas em larga escala, e a legislação de espaços livres de fumo passou a incluir explicitamente todos os produtos de tabaco e nicotina.

O consumo de tabaco mata mais de 7 milhões de pessoas todos os anos e é uma das principais causas de morte evitável no mundo, associado a doenças cardiovasculares, respiratórias e mais de 20 tipos de câncer. Atualmente, mais de um bilhão de pessoas utilizam produtos de tabaco, cigarros eletrônicos ou sachês de nicotina.
A OMS alerta que empresas de tabaco estão projetando produtos para serem mais atraentes e difíceis de abandonar, visando principalmente adolescentes e jovens, faixa etária em que a nicotina causa maior dependência e danos cerebrais, pois o cérebro ainda se desenvolve.
Entre as recomendações da organização estão a proibição de produtos aromatizados, restrição de publicidade e patrocínios, e a proibição do fumo em ambientes públicos fechados, medidas já aplicadas em partes do Brasil. Os sachês de nicotina, conhecidos como snus, receberam atenção especial por serem os produtos que mais crescem entre jovens.
Segundo o relatório da OMS, cerca de 160 países ainda não têm regulamentações específicas para esses produtos, deixando milhões de pessoas desprotegidas. “Embalagens chamativas, sabores semelhantes a doces e campanhas com influenciadores são as mesmas táticas usadas para outros produtos de nicotina, com o objetivo principal de criar dependência nesses produtos nocivos”, concluiu o comunicado.