
As ameaças de Eduardo Bolsonaro ao Itamaraty após a viagem de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aos Estados Unidos geraram preocupação entre diplomatas brasileiros. Segundo a colunista Janaína Figueiredo, do UOL, o ex-deputado atacou a diplomacia brasileira depois que a embaixada do Brasil em Washington negou autorização para organizar uma entrevista coletiva do senador e pré-candidato à Presidência.
A campanha de Flávio Bolsonaro havia pedido à embaixada apoio para a visita do senador, que se encontrou nesta semana com Donald Trump na Casa Branca. O pedido foi enviado ao gabinete da embaixadora Maria Luiza Viotti na noite de segunda-feira (25), mas a representação brasileira respondeu negativamente após consultar Brasília e não receber comunicação oficial do Senado.
O Itamaraty entendeu que não havia elemento que caracterizasse a viagem como missão oficial em representação do país. Diplomatas afirmaram que o rito normal para uso do espaço e da estrutura de uma embaixada por parlamentar exige solicitação formal da Câmara ou do Senado. No caso de Flávio Bolsonaro, essa comunicação não chegou.
Após a negativa, Eduardo Bolsonaro escreveu nas redes sociais: “Vocês não vão sabotar o governo Bolsonaro 2.0. Preparem-se para reformas profundas”. No mesmo dia, o comentarista bolsonarista Paulo Figueiredo afirmou que, em janeiro de 2027, haveria “choro e ranger de dentes” no Itamaraty e prometeu uma “transformação mais profunda desde a sua fundação”.
Deixa eu adiantar um fato: não adianta ficar fazendo remoções de embaixadores agora. Vocês não vão sabotar o governo Bolsonaro 2.0. Preparem-se para reformas profundas.
O Itamaraty terá um especial olhar comercial e uma meritocracia para acabar com a bajulação dos lotados em…
— Eduardo Bolsonaro🇧🇷 (@BolsonaroSP) May 28, 2026
As mensagens provocaram mal-estar no corpo diplomático. Um diplomata ouvido pela coluna afirmou que já havia preocupação majoritária com uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro, mas que agora houve uma explicitação de ameaças de “terra arrasada”. A embaixada brasileira em Washington também recebeu ameaças por e-mail depois das publicações.
A representação brasileira nos Estados Unidos vinha atuando havia meses para explicar ao governo estadunidense os problemas de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Segundo fontes diplomáticas, o governo Lula tentou mostrar ao Departamento de Estado que a mudança de status não teria utilidade prática para o combate às facções e poderia gerar riscos à soberania brasileira.
Na avaliação de diplomatas ouvidos pelo UOL, o governo Trump já estava inclinado a incluir PCC e Comando Vermelho na lista de grupos terroristas, mas a visita de Flávio Bolsonaro teria acelerado o cronograma. O governo brasileiro também teme efeitos práticos na cooperação policial, já que, nos Estados Unidos, organizações terroristas ficam sob atuação da CIA, agência que não faz cooperação policial nos moldes tradicionais.