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PCC e CV: intervenção de Trump fortaleceu facções na América Latina, mostra estudo dos EUA

Trump assina documento “Compromisso de Combate à Atividade Criminosa dos Cartéis” com líderes de extrema-direita na cúpula “Escudo das Américas” em Miami, em 7 de março de 2026

O Departamento de Estado americano anunciou na quinta-feira (28) que as facções brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) serão oficialmente classificadas como “terroristas globais especialmente designados” e como “organizações terroristas estrangeiras”.

O anúncio ocorreu um dia após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se reunir com o secretário de Estado Marco Rubio. Embora frequentemente aplicadas às mesmas organizações, essas designações possuem dispositivos legais distintos no governo estadunidense.

A política intervencionista segue a doutrina Donroe, uma adaptação da histórica Doutrina Monroe, priorizando ação militar, inteligência e pressão política para influenciar governos locais e coordenar operações contra grupos criminosos, enquanto consolida a presença estratégica dos EUA na região.

A julgar pelo que se viu em outros países, PCC e CV sairão mais fortes com a mãozinha de Trump, Marco Rubio e companhia. Mas é claro que não se trata de combater a sério o narcotráfico, certo?

Essa abordagem combina sanções financeiras, designações terroristas e operações militares coordenadas, afetando México, Colômbia, Equador, Honduras, Haiti, Jamaica e outros países da América Latina e Caribe.

Segundo dados do Armed Conflict Location & Event Data (ACLED), organização sem fins lucrativos dos EUA que monitora conflitos e violência política globalmente, a letalidade das operações militares na região atingiu quase 6900 mortes em 2025, o nível mais alto desde 2018.

A ACLED codifica confrontos armados, protestos, motins e eventos estratégicos, registrando data, local, atores, mortes e tipo de evento, oferecendo atualização contínua por meio de pesquisadores e parceiros locais.

A pressão militar e financeira tem levado grupos como Los Choneros e Los Lobos no Equador, FARC e ELN na Colômbia, os cartéis de Sinaloa, Jalisco e La Familia no México, e gangues de Porto Príncipe no Haiti a se adaptarem.

No Haiti, gangues locais passaram a evitar confrontos diretos com forças de segurança, intensificaram sequestros e expandiram territórios. A presença de drones e ataques remotos das forças americanas transformou a violência em mais letal e imprevisível, afetando civis e criando novos corredores para o tráfico.

No México, a morte de líderes como El Mencho e a captura de El Mayo reorganizaram alianças entre cartéis, intensificando conflitos internos e aumentando ataques com drones. Na Colômbia, dissidentes da FARC e do ELN realizaram pelo menos 107 ataques com drones em 2025, mais que o dobro de 2024, enquanto no Equador, a fragmentação de gangues levou ao aumento de grupos ativos de 24 em 2023 para 37 em 2025, criando competição e escalada de violência entre facções rivais.

O traficante El Chapo

Além do impacto militar, a política americana pressiona bancos e empresas com vínculos diretos ou indiretos com essas organizações, elevando riscos de bloqueios, multas e processos criminais.

A intensificação das operações deslocou rotas de tráfico, principalmente na Bacia Amazônica, aumentando o fluxo de drogas no norte do Brasil, Colômbia, Peru e Equador. Ao mesmo tempo, rotas marítimas e de transporte por cargueiros permaneceram praticamente intactas, mantendo a lucratividade de algumas organizações mesmo diante da repressão.

Ataques aéreos e operações conjuntas matam inocentes. Em março de 2025, um ataque coordenado no Equador atingiu uma fazenda de gado e leite, segundo investigação do New York Times, em vez de um complexo de tráfico, revelando falhas no planejamento.

Ainda assim, o Pentágono considera essas ações marcos estratégicos, enquanto as facções criminosas seguem inovando e expandindo suas operações, aumentando o uso de violência remota e métodos menos visíveis para manter o controle sobre territórios e rotas ilícitas.