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Derreteu: vantagem de 31 pontos de João Campos vira dor de cabeça em Pernambuco

Lula com Raquel Lyra e João Campos no desfile do Galo da Madrugada: tentativa de armistício Foto: Reprodução

Apontado como favorito ao governo de Pernambuco até poucos meses atrás, o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) viu sua vantagem sobre a governadora Raquel Lyra (PSD) desaparecer rapidamente. A mudança se consolidou antes mesmo do início oficial da campanha, levando Campos a intensificar pedidos de apoio explícito do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Com informações do Estadão.

A pesquisa Datafolha desta semana mostra Raquel Lyra à frente no segundo turno, com 51% das intenções de voto contra 44% do ex-prefeito. Em comparação ao mês anterior, a governadora cresceu nove pontos, enquanto Campos recuou oito. Pesquisas anteriores indicavam ampla vantagem do pessebista, com 31 pontos a mais sobre a governadora em agosto do ano passado.

Especialistas destacam que a melhora da avaliação de gestão de Raquel Lyra contribuiu para a rápida ascensão. Segundo o levantamento do instituto Quaest, o índice de aprovação da governadora saltou 11 pontos, chegando a 62%, um termômetro importante para suas chances de reeleição.

O sociólogo Maurício Garcia, diretor de Relações Institucionais da Associação Brasileira de Pesquisadores Eleitorais (Abrapel), destaca a atuação da governadora na segurança pública, com a contratação de quase 7 mil agentes identificados por bonés laranja, conhecidos como “laranjinhas”: “É um incremento muito forte”, afirmou Garcia, reforçando que a medida aumentou a visibilidade do efetivo nas ruas.

o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) – Foto: Reprodução

Renato Dorgan, CEO do Instituto Travessia, cita também obras e investimentos em infraestrutura e saneamento no interior do Estado como fatores que ampliaram a influência de Raquel Lyra, especialmente entre prefeitos do interior. Ele destaca que o apoio do PSD a mais de 70 gestores municipais ajudou a equilibrar a força de Campos na capital e na Região Metropolitana.

Garcia e Dorgan ressaltam que Raquel Lyra aprimorou a comunicação de sua gestão e explorou símbolos da identidade pernambucana, como a bandeira do Estado, reforçando sua imagem pessoal. Por outro lado, João Campos optou por uma chapa com alinhamento exclusivo ao PSB e PT, com Marília Arraes (PDT) e Humberto Costa (PT), afastando eleitores de centro e centro-direita.

A disputa estadual tem impacto estratégico para o PSB, que busca consolidar-se como principal força progressista nacional pós-Lula. Vencer Pernambuco é considerado fundamental para ampliar a projeção do partido e fortalecer o nome de Campos como potencial candidato à Presidência em 2030.

A pré-campanha do ex-prefeito aposta na juventude de Campos, hoje com 32 anos, como diferencial frente a uma governadora que mostrou resultados concretos. O apoio de Lula é discutido, mas ainda não definido, gerando expectativa sobre o impacto do presidente na corrida eleitoral.