
O deputado federal Lindbergh Farias encaminhou neste sábado (31) um ofício à Polícia Federal e à Interpol solicitando a abertura de cooperação penal internacional para investigar possíveis irregularidades no financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
No documento, o parlamentar pede que autoridades brasileiras e estrangeiras apurem uma suposta estrutura financeira internacional que teria envolvido empresas sediadas na Holanda, Hungria e Estados Unidos para movimentar recursos destinados à produção cinematográfica.
Segundo o ofício, reportagens recentes apontaram que Eduardo Bolsonaro e a produtora Go Up Entertainment teriam buscado mecanismos para realizar pagamentos internacionais relacionados ao filme, incluindo a contratação de uma estrutura de conta de custódia (escrow account) para transferências ao diretor Cyrus Nowrasteh.
O documento também menciona uma ordem de pagamento de US$ 57,5 mil para a empresa New Path Pictures Inc., na Califórnia, por intermédio de uma fundação ligada ao grupo Freeway, na Holanda. De acordo com as informações citadas no ofício, haveria preocupação quanto à identificação dos beneficiários finais dos recursos e à possibilidade de manutenção do anonimato de investidores.
Lindbergh sustenta que a operação teria características que justificam investigação por possível lavagem de dinheiro, incluindo o uso de múltiplas empresas, contratos internacionais, estruturas fiduciárias e movimentação de recursos entre diferentes jurisdições. O parlamentar ressalta, entretanto, que as apurações devem respeitar o devido processo legal e a presunção de inocência dos envolvidos.

O ofício também cita reportagens que relacionam o empresário Daniel Vorcaro ao financiamento do projeto cinematográfico. Segundo o documento, caberia às autoridades verificar a origem dos recursos utilizados e eventual ligação com investigações financeiras já existentes.
Entre as medidas solicitadas estão o acionamento dos escritórios da Interpol nos Estados Unidos, Holanda e Hungria; o rastreamento de contas bancárias, contratos e transferências internacionais; a identificação de beneficiários finais das empresas envolvidas; e a eventual utilização da chamada “Silver Notice”, mecanismo criado pela Interpol para localização de ativos relacionados a crimes financeiros.
No pedido, o deputado afirma que o objetivo é seguir o fluxo do dinheiro empregado na produção de Dark Horse, identificar a origem dos recursos e verificar se houve ocultação de financiadores ou utilização da estrutura internacional para mascarar operações financeiras.
O documento é assinado por Lindbergh Farias e pelo advogado Reinaldo Santos de Almeida, coordenador jurídico da Liderança do PT na Câmara dos Deputados.