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Lula relata surpresa com tarifaço de Trump e diz que Brasil não aceitará ser tratado como “republiqueta”

O presidente Lula durante reunião ministerial nesta quarta (3). Foto: Reprodução

O presidente Lula afirmou nesta quarta (3) que foi pego de surpresa com as propostas de novas tarifas comerciais dos Estados Unidos contra produtos brasileiros e disse que pretende enviar uma nova carta ao presidente Donald Trump. A declaração foi feita durante reunião ministerial no Palácio do Planalto.

O mandatário exibiu uma imagem com a frase “O Pix é do Brasil” durante o encontro com os membros do governo, a mesma usada durante um evento nesta terça (2) em Goiás. Ele disse que não foi comunicado oficialmente pela gestão de Trump sobre a medida.

“Ninguém pode dizer que o Brasil se negou a negociar com os Estados Unidos. Desde o primeiro tweet, do presidente Trump, que é um comunicado avesso àquilo que a democracia e a civilidade exige, que um presidente comunique o outro, ou mande uma carta oficial para o outro”, afirmou.

“Eu fiquei sabendo da taxação primeiro pelo twitter. E uma taxação substanciada com base em inverdades, porque o déficit que os EUA diz que tem com o brasil, é o Brasil que tem contra ele. Portanto, se alguém tivesse que fazer uma taxação, é o Brasil contra os EUA, não os EUA contra o Brasil”, prosseguiu.

O petista afirmou que o país “não pode aceitar” esse tratamento da Casa Branca. “A nossa luta é para que esse país não seja tratado em nenhum momento como se fosse uma republiqueta insignificante. Nós temos muita história e não podemos aceitar o tratamento que os EUA deu ao Brasil nesta semana. Não é possível”, acrescentou.

Donald Trump e Lula durante encontro no início de maio nos Estados Unidos. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Lula também disse que já havia proposto a Trump uma negociação direta entre os ministros dos dois países antes de qualquer nova decisão comercial. A ideia, segundo ele, era abrir um prazo para que as equipes tentassem chegar a um entendimento.

“Na última reunião, quando eu estive lá, tivemos uma conversa com o Trump de três horas, e entregamos os assuntos que o Brasil quer discutir. Na hora da relação comercial, houve uma divergência entre o meu ministro e o ministro do comércio deles, eu propus ao Trump: ‘Já que não tem acordo entre os dois ministros, vamos dar trinta dias para que eles se entendam'”, prosseguiu.

Em seguida, Lula disse que a falta dessa reunião tornou o anúncio ainda mais inesperado para o governo brasileiro. “Não se concluiu nada. Por isso, a nossa surpresa com relação a uma taxação contra o Brasil”, declarou.

Sem citar os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro, como fez nesta terça, o petista disse que há pessoas “tentando trair o Brasil com interesses mesquinhos”. “Não há disputa eleitoral em qualquer país do mundo que possa dar valor a alguém que trai a pátria. Alguém capaz de vender o seu país por interesses mesquinhos deles”, apontou.

O governo Lula tem defendido que eventuais divergências sejam tratadas por meio de negociação diplomática e não por medidas unilaterais. O Palácio do Planalto ainda deve formalizar a nova comunicação a Trump nos próximos dias.

A carta deve reforçar a posição brasileira contra as tarifas e cobrar abertura de diálogo entre os dois governos.

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