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O climão na Marcha para Jesus após encontro entre Messias, Mendonça e Flávio Bolsonaro

Jorge Messias, Flávio Bolsonaro e Ricardo Nunes na Marcha para Jesus. Foto: reprodução

A presença do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), do advogado-geral da União, Jorge Messias, e do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), na Marcha para Jesus foi marcada por um climão nos bastidores do evento, realizado na manhã de quinta-feira (4), em São Paulo.

Os três chegaram a estar no mesmo trio elétrico durante parte da marcha, mas evitaram interações. Segundo o Metrópoles, relatos de lideranças evangélicas que acompanharam o evento, Mendonça fez questão de se afastar quando o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) subiu ao trio.

De acordo com três fontes ouvidas pela coluna sob reserva, o ministro se posicionou em outra área do veículo para evitar proximidade com Flávio, que é pré-candidato ao Palácio do Planalto. Embora tenha sido indicado por Bolsonaro ao Supremo, Mendonça nunca foi próximo do senador.

Messias adotou postura semelhante. Testemunhas afirmam que o advogado-geral da União se movimentou para não cruzar com Flávio nem ter de cumprimentá-lo no trio. A quem perguntou, o titular da AGU disse que nem sequer viu o filho mais velho de Bolsonaro.

O ministro de Lula, no entanto, não evitou todos os políticos de direita presentes no evento. Segundo relatos feitos ao Metrópoles, Messias cumprimentou o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que também participou da Marcha para Jesus.

André Mendonça e Estevam Hernandes, organizador da Marcha para Jesus. Foto: reprodução

O distanciamento em relação a Flávio não foi o único ponto comum entre Messias e Mendonça. Os dois limitaram suas participações ao desfile no trio elétrico e não subiram ao palco principal, montado para os discursos e apresentações que encerraram o evento.

Segundo aliados, a decisão foi tomada para evitar que as presenças fossem interpretadas como exploração política da Marcha para Jesus. A avaliação era que a participação no palco poderia gerar questionamentos sobre eventual uso político de uma manifestação religiosa.

Messias também criticou Flávio Bolsonaro por usar o evento para manifestações políticas. Questionado sobre a fala do senador, que foi ao microfone do trio elétrico e disse que “o mundo do mal vai ser expulso do governo neste ano”, o advogado-geral da União afirmou que a marcha deveria ter outro foco.

“Hoje é o dia de louvar e adorar a Deus. As pessoas estão aqui buscando a palavra de Deus, louvar e adorar. Hoje não é dia de comício”, declarou ao jornal O Globo.

O ministro disse que compareceu ao evento com o objetivo de participar da celebração religiosa. “Eu vim aqui com esse espírito. E as pessoas que estão aqui também estão com esse espírito. Eu acho que, na Marcha para Jesus, tem espaço para todas as pessoas. Jesus sentava à mesa com gentios e judeus”, prosseguiu.

Ao comentar a presença de diferentes correntes políticas no ato, Messias evitou confronto direto e afirmou que a avaliação cabe ao público. “Eu acho que as pessoas vão julgar o comportamento e a declaração de todos que estão aqui. Não sou eu que vou julgar. Jesus nos ensina a não julgar”, afirmou.