
O deputado federal Marco Feliciano (PL-SP) afirmou que se sentiu abandonado pela família Bolsonaro e pelo PL após ficar fora dos planos da extrema-direita para a disputa ao Senado por São Paulo. Em entrevista ao podcast Eu Acredito, o parlamentar disse que esperava ser lembrado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e reclamou da falta de gratidão dentro do grupo político.
O pastor citou sua relação antiga com o clã Bolsonaro e afirmou que teve papel importante na eleição de Eduardo Bolsonaro para a Câmara dos Deputados. “Eu tive 400 mil votos, o Eduardo teve pouco mais de 70, se não me falta memória, e ele não seria eleito, mas a sobra dos meus votos no ex-partido, o Eduardo se tornou deputado”, declarou. A declaração é equivocada, uma vez que Eduardo teve mais de 740 mil votos, contra 220 mil de Feliciano.
O deputado disse que esperava reconhecimento por esse histórico. “A família tem um histórico comigo, e eu pensei que de fato, nesse momento, eu seria lembrado. Porque gratidão é a memória do coração”, afirmou. Mesmo assim, disse que optou por não criar conflitos com o grupo. “Mas eu sou leal. Lealdade às vezes implica nisso, você ficar quieto para evitar um problema maior”.
A queixa de Feliciano também envolve a disputa de 2022, quando ele afirma ter recebido uma promessa de Bolsonaro para concorrer ao Senado, mas acabou preterido em favor de Marcos Pontes, eleito naquele ano.
Segundo o parlamentar, o próprio Bolsonaro teria reconhecido a dívida política naquele momento. Feliciano citou um vídeo em que o ex-presidente teria afirmado que o deixou de lado “com dor no coração”. Para o deputado, a escolha por Pontes foi um erro político. Ele disse que Bolsonaro “indicou outra pessoa que acabou traindo ele no início do mandato”.
E o Marco Feliciano dizendo que foi abandonado pelos Bolsonaros, hein?
“Eu tinha a palavra que dessa vez seria eu”
Com a família santa é assim: Acabou a utilidade é lata do lixo. pic.twitter.com/7wu5CZ1Sr2
— Allan dos Panos (@allandospanos) June 8, 2026
Feliciano afirmou que recebeu nova sinalização de que seria contemplado desta vez. “Eu tinha a palavra que dessa vez seria eu, só que aí mudou tudo e foi o Eduardo”, declarou. O ex-deputado Eduardo Bolsonaro foi para os Estados Unidos em março de 2025 fugindo da Justiça brasileira e passou a ser tratado como nome do bolsonarismo para a disputa ao Senado.
O deputado disse que não reagiu inicialmente porque Eduardo é filho de Bolsonaro. “Como é o Eduardo, eu fiquei quieto, é o filho. Em família não se mexe”, afirmou. Com a impossibilidade de Eduardo disputar, Feliciano voltou a cobrar espaço. “Mas o Eduardo ficou impossibilitado de vir, então eu perguntei, e agora?”.
De acordo com Feliciano, Bolsonaro sugeriu que a definição fosse feita por meio de pesquisas. “O Bolsonaro falou para mim, vamos fazer pesquisa, o que tiver melhor vai”, relatou. O parlamentar disse que pediu ao PL para incluir seu nome nos levantamentos, mas reclamou que isso ocorreu apenas uma vez de forma oficial.
Feliciano afirmou que chegou a pontuar bem quando foi citado. “Eu entrei em duas, numa, alguém citou meu nome de maneira avulsa, eu pontuei com 9 pontos, e na outra o partido colocou meu nome, foi uma só, nessa eu pontuei com quase 14 pontos”, disse. Depois disso, segundo ele, o partido deixou de colocá-lo nas pesquisas.