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Mendonça ignorou regra de sua igreja ao participar da Marcha para Jesus; entenda

André Mendonça na Marcha para Jesus. Foto: Reprodução

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça contrariou regra da Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB) ao participar da Marcha para Jesus deste ano, em São Paulo, segundo a coluna de Valdinei Ferreira na Folha de S.Paulo. Ele é pastor da denominação e chegou a discursar em um trio elétrico durante o evento religioso.

Desde 2006, o Supremo Concílio da IPB mantém uma orientação oficial contrária à participação de membros e igrejas na Marcha para Jesus. Na época, a instituição determinou que pastores e conselhos orientassem os fiéis a não se envolverem com o movimento, citando divergências doutrinárias e teológicas com os organizadores do evento.

Entre os motivos apresentados pela IPB para rejeitar o envolvimento com a Marcha para Jesus estão críticas a correntes como a Teologia da Prosperidade, a Confissão Positiva e a chamada Teologia Triunfalista. A denominação também contesta práticas ligadas à guerra espiritual, à quebra de maldições hereditárias e ao uso do título de “apóstolo” por lideranças do evento.

Textos produzidos por líderes presbiterianos ao longo dos anos argumentam que a marcha não se enquadra no modelo de culto defendido pela denominação. Também apontam que o crescimento do movimento evangélico não teria sido acompanhado por transformações sociais proporcionais em áreas como violência, corrupção e comportamento ético.

Durante sua participação, Mendonça elogiou a mobilização religiosa e afirmou que a marcha representa “um marco histórico onde milhões de brasileiros se unem para testemunhar que foram transformados por Jesus”. O magistrado também declarou que se trata de “um momento único e que é preciso estar presente na Marcha para experimentar a energia do Espírito Santo”.

A aproximação de Mendonça com igrejas pentecostais e neopentecostais ganhou visibilidade a partir de 2021, durante o período em que buscava apoio político para sua indicação ao STF. Desde então, o ministro tem participado de eventos religiosos fora do ambiente tradicionalmente ligado à Igreja Presbiteriana.

Embora a resolução da IPB não preveja punição automática para quem participa da Marcha para Jesus, o sistema disciplinar da igreja contempla sanções em casos de descumprimento de determinações eclesiásticas. Qualquer análise sobre a conduta de Mendonça dependeria da apresentação de uma representação formal ao concílio responsável por sua jurisdição pastoral.